Supervia: Campanha nas redes sociais ajuda passageiros a recuperar pertences

Menos de 5% de quem perde objetos no transporte público voltam para reaver suas coisas

Por O Dia

Rio - Sabe aquela famosa frase?: “tem gente que só não perde a cabeça porque está grudada no pescoço”. Pois é. O dito popular faz sentido. Pelo menos para muitos passageiros que utilizam transportes públicos do Rio. Diariamente, cerca de 35 pessoas, em média, perdem algum tipo de objeto nos trens e plataformas da Supervia, nos vagões do Metrô ou nos ônibus. Como os ‘cabecinhas de vento’ se esquecem até mesmo de procurar pelos pertences extraviados, a Supervia teve a ideia de fotografar os pertences e postar as imagens nas redes sociais.

Na correria%2C usuários da Supervia acabam perdendo%2C em média%2C 15 objetos por dia. Dentaduras%2C carrinhos de bebê e até uma estátua do diabo já foram encontrados nos vagõesEstefan Radovicz / Agência O Dia

Entre os itens inusitados, que as vezes são deixados para trás no corre-corre de embarques e desembarques, estão dentaduras, marmitas, muletas e carrinhos de bebê. Os campeões de perdas são chaves, resultados de exames de saúde, processos judiciais, documentos, laptops e celulares. Muitos celulares. Seis a cada 24h. Devido à baixa procura pelos materiais, a Supervia tem alertado nas redes sociais os mais de 600 mil passageiros que utilizam oito ramais e 102 estações da concessionária. Dos aproximadamente 450 objetos encaminhados a cada 30 dias para o setor de achados e perdidos da empresa, somente 4% acabam sendo resgatados pelos donos.

“Cada item é cadastrado no sistema. Documentos ficam guardados por 15 dias. Depois, são entregues aos Correios. Já os objetos permanecem por uma semana e, caso não sejam recuperados, são doados para comunidades vizinhas à linha férrea, menos produtos perecíveis, que são descartados imediatamente”, diz a gerente de Inteligência de Mercado, Sônia Antunes. Só de janeiro a outubro deste ano, a Supervia, que disponibilizou o telefone 0800 726 9494 para informações, fez 6,6 mil atendimentos relacionados a achados e perdidos.

Sônia conta que os funcionários viraram uma espécie de detetives. “Aparecem muitos espertinhos tentando retirar objetos que não lhes pertencem. Aí os colaboradores têm que perguntar sobre caraterísticas muito específicas para não serem ludibriados”, comenta. Não raramente ocorrem situações engraçadas. “Um dia esqueceram uma estátua do diabo em tamanho natural num dos trens. Foi um custo achar um funcionário para remover a imagem. Já deixaram caixas com filhotes de cães e gatos, prancha de surfe, carranca, e TVs”, lembra, às gargalhadas.

No Metrô, 4.717 objetos estão cadastrados. Em média, segundo a concessionária, 40 pessoas por mês procuram o setor. A Fetranspor disse que são encontrados 200 objetos e documentos nos ônibus, mas apenas 15 proprietários perguntam por eles.