Olimpíadas do Rio: Experiência de quem viveu o terror

Secretaria vai chamar policiais europeus para atuar no Centro Integrado Antiterrorista para os Jogos

Por O Dia

Rio - O Brasil vai convidar policiais de países europeus, alvos de atentados terroristas, para participar do Centro Integrado Antiterrorista, que será criado para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. O anúncio foi feito pelo titular da Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos, Andrei Augusto Passos Rodrigues. Ele garantiu, que mesmo após ao atentado em Paris, na França, na última sexta-feira, que deixou 129 mortos e mais de 350 feridos, o esquema de segurança para a Olimpíada não será alterado.

“O impacto sobre isso é de reafirmar que vamos investir na cooperação internacional, na troca de informações com países que compõem o sistema da Interpol. É uma novidade que o Brasil implemente o Centro Integrado Antiterrorista, que é um fórum de polícia, onde convidaremos policiais de outros países a integrar este centro, com foco no enfrentamento ao terrorismo”, adiantou Andrei Rodrigues.

Esquema de segurança para a Olimpíada será mantido no Brasil%2C mas secretaria diz que não há riscosReprodução

Andrei garantiu que monumentos que são cartões postais do Rio, como a estátua do Cristo Redentor, e o Maracanã, por exemplo, sempre receberam atenção especial dos setores de inteligência. “Foi assim nos grandes eventos já realizados na cidade, como a Rio +20, Jogos Mundiais Militares, e as copas do Mundo e das Confederações. Esse cuidado vai continuar existindo”, afirmou o secretário, garantindo que não haverá alteração no orçamento previsto para a segurança do jogos, orçado em R$ 930 milhões.

Em nota, o Ministério da Defesa reafirmou que o enfrentamento ao terrorismo faz parte de uma ação conjunta entre a Segurança Pública, Defesa e Serviço de Inteligência, que tem como base o Plano Estratégico de Segurança Integrada (PESI). Ao todo, 85 mil agentes - 47 mil provenientes de municípios, estados e União, e 38 mil das Forças Armadas - vão compor o esquema de segurança previsto.

“Essa estrutura vem sendo continuamente analisada, testada e aprimorada”, diz a nota. “Todo esse conhecimento adquirido está em constante processo de aperfeiçoamento, inclusive com intercâmbio com outros países”, completa o texto.

'Possibilidade vista como impossível, agora cresceu'

Embora a Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos não veja necessidade de aumentar o reforço policial para os Jogos, especialistas em Segurança Pública demonstram preocupação após os atentados na França.

Para o ex-secretário Nacional de Segurança José Vicente Filho, a possibilidade de um atentado de grupos terroristas durante a Olimpíada, que acontece em 103 dias, é cada vez mais real. “Esta possibilidade, que antes era vista como impossível, cresceu. Agora é real, porque há o interesse do terrorismo ao fazer ataques com exposição. Na França, os ataques foram no momento do jogo entre França e Alemanha. Nas Olimpíadas, haverá países do mundo todo”, lembrou Vicente.

Ainda segundo ele, a facilidade de se conseguir artefatos no Rio, deveria preocupar autoridades. “Em 2014, o Brasil contabilizou mais de três mil ataques com dinamites a bancos. Um atentado a um estádio, como o Maracanã, um ponto turístico, como o Cristo, poderia acontecer. Temos que interagir com a França para conhecer um possível inimigo”, avisou.

Dilma quer aceleração de lei antiterror

A presidenta Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira, em Antália, na Turquia, na Cúpula do G20, que é preciso “acelerar a votação da lei antiterrorismo”. O projeto de lei, que tipifica o crime de terrorismo, do senador Aloysio Ferreira (PSDB-SP), voltou para a Câmara dos Deputados, após aprovação do Senado.

“Temos de aprovar legislação antiterrorista. Todas as nossas polícias e toda a nossa atividade é no sentido de estarmos vigilantes”, disse Dilma, ponderando, que o Brasil “não está no centro dessa questão.”

O projeto é polêmico por excluir da lei manifestações políticas e sociais. Inicialmente, os deputados incluíram a aplicação da norma nesses casos. Mas Aloysio entendeu que, caso haja depredação de ônibus ou lojas em protestos, os manifestantes devem ser enquadrados em dano ao patrimônio.

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