Gerente preso por injúria racial ofereceu almoço aos entregadores

Leonardo Valentim disse que Ascendino Correa Leal chamou eles para que pudessem comer de graça no restaurante Garota da Tijuca para que o caso não fosse parar na delegacia

Por O Dia

Rio - Preso por injúria racial, Ascendino Correa Leal, de 68 anos, gerente do Restaurante Garota da Tijuca, na Zona Norte, ofereceu almoço grátis para que as vítimas não registrassem o caso. Três entregadores negros ganharam bananas do acusado na última sexta-feira, em "homenagem" ao Dia da Consciência Negra.

O gerente do restaurante Garota da Tijuca ofereceu bananas a entregadores negros no Dia da Consciência Negra, na última sexta-feiraWhatsApp O DIA (98762-8248)

"Tentaram nos convencer que a gente tinha que aceitar levar nossas famílias para almoçar no restaurante de graça. Eu disse a ele: 'rapaz, eu não preciso almoçar de graça com a minha família num restaurante. Eu trabalho, eu tenho como pagar por um almoço'", disse o motorista de caminhão, Leonardo Valentim Silva Pereira, ao Bom Dia Rio.

Um evento no Facebook chamado de "Mais do que uma Banana para o Garota da Tijuca", chama as pessoas para que no próximo sábado à noite façam um boicote ao estabelecimento. Mais de 13 comparecimentos foram confirmados e Leonardo acredita que isso seja uma resposta dos carioca contra o racismo.

Evento no Facebook pede que a população boicote o restaurante Garota da Tijuca no próximo sábadoReprodução Facebook

"Isso é a sociedade dando uma resposta que não tolera mais esse tipo de comportamento, esse tipo de atitude. A sociedade não suporta mais isso. Eu espero que ele seja punido, que ele responda pelos seus atos, que seja homem de responder, tal como ele foi homem de nos ofender", afirma.

No Boletim de Ocorrência (BO), os entregadores Leonardo, William Dias Delfim e Josias Ferreira disseram que o gerente havia afirmado "em homenagem ao dia de hoje, uma banana para casa um, pois vocês são da mesma raça". O agressor ainda teria dito que as bananas eram para todos, "pois todos eles eram da mesma raça". No BO, Ascendino Correa teria tentado desfazer o constrangimento e entrou no restaurante rindo. Ele pagou fiança de R$ 800 no mesmo dia e responderá em liberdade.

Através de uma nota de esclarecimento, a direção do restautante afirmou que o gerente foi afastado de suas atividades e que vem colaborando com a investigação. Confira abaixo a declaração do Garota da Tijuca.

O Restaurante Garota Da Tijuca LTDA, vem, através desta, esclarecer que não compactua com qualquer atitude discriminatória por parte de seus funcionários e que está averiguando e colaborando com as investigações a fim de esclarecer os fatos noticiados nas redes sociais na última sexta-feira.

Informamos também que, o estabelecimento, de imediato, tomou as medidas cabíveis quanto ao funcionário que se encontra suspenso de suas funções durante todo o período de investigações.

O restaurante Garota da Tijuca tem mais de 30 anos de tradição atendendo com qualidade e dedicação seus clientes, independente de crenças, religiões ou raças, não guardando qualquer relação com atitudes discriminatórias e a atividade comercial explorada, onde prima pelo respeito e bom atendimento aos seus clientes.

Mais uma vez repudiamos com veemência qualquer ato discriminatório contra funcionários, fornecedores ou clientes, e que, constatada a irregularidade iremos agir com o rigor que a lei nos permite. E finalmente, lamentamos pelo ocorrido, informamos que estamos à disposição para dirimir quaisquer dúvidas.