Por marlos.mendes

Rio - Se comparado a uma partida de xadrez, o combate a um possível ataque terrorista durante os Jogos na Rio 2016 tem seu tabuleiro longe do território sob domínio de integrantes do Estado Islâmico. É na Internet que estão concentradas as ações de inteligência que tentam antecipar os movimentos de extremistas, que usam a web para recrutar simpatizantes e até mesmo promover ciberterrorismo.

A pouco mais de 250 dias do início das Olimpíadas Rio 2016, o uso da Internet por organizações extremistas é tema de um dos debates que acontecem hoje no Seminário Internacional de Enfrentamento ao Terrorismo, organizado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em parceria com o Ministério Público Militar (MPM), em Brasília.

Dados de setores de inteligência de países que participam do evento revelam que a Internet foi usada por extremistas para contatos, divulgação de vídeos e até mesmo para o recrutamento de simpatizantes. Desde 2013, 14 atentados terroristas foram computados na Rússia, Estados Unidos, Nigéria, Quênia, Paquistão, Austrália, França, Turquia, Tunísia, Kuwait, Líbano e em Mali resultando em 1.110 mortes, sem contar as centenas de feridos.

Para o diretor do Departamento de Contraterrorismo da ABIN, Luiz Sallaberry, a Internet é uma das principais ferramentas usadas por extremistas que se enquadram no perfil dos chamados “lobos solitários”.
“Foi o que aconteceu nos atentados à Maratona de Boston”, declarou Sallaberry. “São pessoas que se encantam pela ideologia dos grupos terroristas e agem em prol desses grupos sem jamais terem sido ligadas diretamente a eles”, explicou.

E é para tentar antecipar a ação desses extremistas, que agentes da Abin já trabalham em colaboração com mais de 80 serviços de inteligência em todos os continentes, número maior do que o de delegações que vão participar dos jogos.texto

Reportagem de Sérgio Ramalho

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