Batalhões da PM serão modernizados até 2018 para melhorar serviço

Para viabilizar a reforma, Pezão determinou que projeto será enviado para discussão com a iniciativa privada

Por O Dia

Rio - Sabe aquele batalhão de Polícia Militar grande, lento, burocrático, fechado e distante da população? Pois bem, eles vão acabar. A revelação foi feita ao DIA, com exclusividade, pelo chefe do Estado Maior da PM, coronel Robson Rodrigues que, junto ao comandante da corporação, coronel Pinheiro Neto, anunciou que deixará a PM no dia 4 de janeiro. Transformar este batalhões em locais ágeis, menores, e centrais para se medir os índices de qualidade do serviço policial, através de métodos científicos, é a maior meta do plano de modernização da PM até 2018, que a dupla entrega este ano. O comando passará a ser do coronel Edson Duarte, num processo de transição planejado.

“Temos de usar menos força e ser mais eficientes”, diz Robson, com planos de voltar a se dedicar à sua tese de mestrado na Uerj, que abriu mão este ano, em prol do desafio de modernizar a corporação. “Estava acertado desde o início do ano. Depois de muito tempo haverá mudança sem estarmos em crise”, gaba-se. Para viabilizar os novos batalhões, Pezão determinou que a AGE-Rio, a Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado, desse a ele um formato econômico e o enviasse para discussão com a iniciativa privada.

Coronel Robson%3A ‘pegamos com déficit e entregamos com R%24 20 milhões’Levy Ribeiro / Agência O Dia

Além de estimular o empreendedorismo, a AGE-Rio é a porta de entrada para financiamentos e negócios no estado. A ideia é que, menores e menos custosos, os batalhões sejam bancados por parceria público-privadas. “O Batalhão da Tijuca, por sua estrutura e por já ter uma companhia de polícia de proximidade, é o ideal para iniciar o projeto. Mas quem decidirá será o governador.”

Robson acena com números para justificar sua satisfação com o trabalho realizado: a queda no número de mortes de policiais é o principal deles — 90 em 2014 contra 70, até sexta-feira, fruto da diminuição do número de confrontos em favela, segundo suas estatísticas. “Criamos sistema de monitoramento, estamos avaliando os disparos de armas e temos programas de intervenção sobre os policiais que estão atirando muito, além do simulador de situações de estresse. É um processo, não muda da noite para o dia.”

Para ele, o mais importante da gestão Pinheiro Neto foi recolocar a PM no trilho da mudança de filosofia de combate para a de proximidade que, segundo ele, foi interrompida quando seu grupo saiu em 2013. “A estrutura é anacrônica e ultrapassada. Tem pouco controle e pouca gestão. Estamos mudando isso”. Dificuldades financeiras preocupam, mas não inviabilizam mudanças. “Executamos 100% do orçamento este ano. Pegamos a PM com déficit de R$ 40 milhões, vamos entregá-la com cerca de R$ 20 milhões em caixa.”

Segundo em consumo

"O fracasso na política de Guerra às Drogas leva o coronel a pedir que o Estado assuma regulação do consumo. Segundo Robson, apesar dos bilhões investidos, mesmo assim o Brasil se transformou no segudo maior consumidor de cocaína do planeta, em números absolutos. Só esta constatação já demonstra o fracasso da repressão. “Qual o objetivo desta guerra? Acabar com o consumo. E, no entanto, hoje temos um mercado regulado pela violência. Não vamos conseguir acabar com o tráfico.” Ele diz que o comércio nas favelas é uma pequena parte se comparado ao tráfico internacional. “Com as prisões e as apreensões só estamos produzindo mais violência.”

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