Grupo de simpatizantes do regime militar revolta vereadores na Câmara

Um dos integrantes estava caracterizado de forma que remetia a Adolf Hitler e foi chamado de nazista por participantes da audiência da Comissão de Direitos Humanos

Por O Dia

Rio - Uma audiência na Câmara de Vereadores terminou em confusão nesta quinta-feira quando um grupo de cinco simpatizantes do regime militar tomou a palavra durante a discussão de um projeto do  vereador Carlos Bolsonaro (PP-RJ) que pretende excluir o conteúdo político das escolas do Rio. Um dos integrantes do grupo estava com um visual que remetia ao líder nazista Adolf Hitler, causando revolta entre os participantes da audiência.

Homem estava com visual que lembrava o líder nazista Adolf Hitler, além de broches que lembravam mas não eram do período das trevas ha HistóriaDivulgação

O grupo integra um movimento denominado 'Nacional Democracia' . Na página do grupo no Facebook há a exaltação ao coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto este ano. Ustra foi o primeiro militar reconhecido pela Justiça como torturador na Ditadura. Na mesma página há ainda críticas ao sistema de cotas para negros e à homossexualidade. 

O 'sósia' de Hitler, identificado como Marco Antônio Santos, chegou a se inscrever para falar no plenário, mas foi impedido pelo presidente da casa, Jefferson Moura (Rede). "Num parlamento democrático não há espaço para apologia ao nazismo. É inadmissível um indivíduo fantasiado de Adolf Hitler usar a tribuna do plenário para se expressar", justificou o vereador. A duras penas o Brasil restabeleceu o processo democrático. A democracia compreende o respeito às correntes políticas e o direito de se manifestar livremente. Mas querer defender as ações de um ditador que matou millhões de pessoas é inaceitável. No mundo todo há uma luta diária de enterrar essa triste página da história, disse Moura. "Um homem fantasiado de Hitler não pode falar num parlamento democrático", disse o vereador Renato Cinco (PSol).

Consultado pela reportagem do DIA, o historiador Milton Teixeira explicou que o homem na foto usava broches,  que lembravam o nazismo, mas nenhum daqueles símbolos realmente era do período de trevas da História mundial. 'Ele queria provocar, era um Hitler fake', resumiu Teixeira. 

Um dos integrantes do grupo prestou queixa na 5ª DP por difamação contra Jefferson Moura que, por sua vez, pediu abertura de processo na corregedoria da Câmara de Vereadores contra o grupo para investigar o crime de apologia ao nazismo dentro da casa legislativa. 

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