Tiroteio interrompe Festival Internacional de Circo na Maré

'A polícia chegou atirando com a praça cheia de crianças', denuncia idealizador do evento

Por O Dia

Rio - Era para ser uma tarde cultural, com palhaços de vários cantos do mundo e o picadeiro armado no meio da Praça da Nova Holanda, mas uma incursão policial levou terror ao primeiro dia do 3º Festival Internacional de Circo que acontecia no Complexo da Maré, na tarde desta quarta-feira.

“A polícia chegou atirando. Estávamos na praça cheia de crianças e mal deu tempo de correr”, denuncia o idealizador do festival, Junior Perim. Segundo ele, pelo menos dois Caveirões da Coordenadoria de Recursos Especiais, CORE, e um helicóptero participaram da operação que levou pânico para a favela por volta das 16h.

“Não deveria existir incursões durante um período desses. As pessoas estavam vivendo uma nova experiência”, lamentou Perim. O festival, reconhecido internacionalmente, foi anunciado previamente e tinha o aval da prefeitura e do governo do estado, o que para Perim demonstra uma grande falha da Polícia Civil.“Por que a inteligência não investigou isso?”, questiona. 

Organizadores do espetáculo avisaram às autoridades sobre eventoDivulgação

Além da Nova Holanda, Parque Maré, Rubens Vaz e Baixa do Sapateiro também viveram momento de tensão. Segundo uma moradora que estava na Lona Cultural Hebert Vianna, no Parque Maré, onde acontecia outra das três apresentações que o festival de circo fazia no complexo, centenas de crianças estavam no local, assistindo um espetáculo quando o helicóptero voou baixo atirando a esmo.

“Começamos a correr e a nos esconder, tentando proteger as crianças”, conta ela que em pânico, pegou seu carro e saiu do local em busca de abrigo, com três crianças. “Nunca senti tanto medo. Tinha três crianças comigo, fomos até a Avenida Brasil e esperamos o clima esfriar”, relata a moradora que teve que acalmar os meninos que ficaram apavorados. “Isso nunca aconteceu assim e muito menos desta maneira. Foi terrível”, lamenta ela.

Segundo outro morador que pediu para não ser identificado, a aeronave teria avistado grupos de traficantes, voando baixo, para atingi-los. “Poderiam facilmente ter ferido uma criança”, denuncia ele, que estranha o horário da ação. “As incursões são pela manhã bem cedo. Essa foi na saída dos colégios.” 

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