Crime em família buscava poder na Região dos Lagos

Políticos e traficantes são acusados de venda de drogas, armas e compra de votos

Por O Dia

Rio - Um plano ambicioso de comandar o tráfico de drogas, o roubo aos cofres da Prefeitura de Arraial do Cabo e vencer a eleição no município no ano que vem, para dominar o poder na Região dos Lagos. O projeto político do ex-integrante do governo municipal Francisco Eduardo Freire Barboza, pai do traficante Carlos Eduardo da Rocha Freire Barboza, o Kadu Playboy, foi quebrado nesta quinta-feira na operação ‘Dominação II’, deflagrada pela Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (DELEPAT) da Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. Onze foram presos, entre eles, dois subsecretários.

Um dos carros apreendidos na operaçãoDivulgação / Polícia Federal

Três estão foragidos, entre eles, o sargento PM Marcelo Adriano Santos de Oliveira, secretário municipal de Ordem Pública e um dos braços armados. A 2ª Vara de São Pedro da Aldeia bloqueou R$ 20 milhões do bando. Quatro estão foragidos e 15 foram denunciados à Justiça por crimes de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa.

Em 2014, a PF desvendou esquema para eleger dois deputados estaduais. Eleitores receberam R$ 50, por voto, mas a dupla não foi eleita. Com ligações com autoridades de Arraial do Cabo e Cabo Frio, Francisco Eduardo e Playboy estão presos desde janeiro por tráfico de drogas. Carlos Eduardo transformou o Presídio Ary Franco no seu ‘gabinete’ do crime. “Ele recebia a qualquer hora políticos de Arraial e Cabo Frio”, afirmou o promotor Marcelo Arsênio, do Gaeco. Playboy foi transferido de Bangu 3 para Bangu 1, em outubro, depois que PF encontrou 17 celulares em sua cela. “Ele ordenava homicídios da cadeia”, disse Arsênio.

Drogas financiavam imóveis%2C como o do Blue Village%2C em Cabo FrioDivulgação

Para garantir a corrupção em Arraial, Francisco Eduardo montou estrutura familiar envolvendo a mulher, ex-mulher e parentes de sua nora. Em nota, a Prefeitura de Arraial informou que colabora com as investigações.

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Imóveis em troca de contratos

Contratos irregulares de locação de veículos para a Prefeitura de Arraial, no valor de R$ 3,5 milhões, funcionários fantasmas e compras de imóveis eram os principais negócios do bando chefiado por Francisco Eduardo. A quadrilha possuía apartamentos em Cabo Frio e cobertura no Recreio, avaliada em R$ 1,4 milhão. Nesse empreendimento, o suplente de vereador em Cabo Frio, João Gomes da Silva Júnior fingiu ser pai de Playboy. O imóvel foi sequestrado pela Justiça.

Playboy, do Comando Vermelho, chefiava morros no Rio e ArraialDivulgação

“Donos de construtoras e empresas colocavam imóveis em nome de suas firmas para disfarçar e, em troca, conseguiam contratos fraudulentos com a prefeitura”, disse o promotor Marcelo Arsênio.

Nesta quinta foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão em Arraial e Cabo Frio e no Ary Franco, no Rio. A disputa pelo tráfico, envolvendo Playboy nas duas cidades, resultou em 88 homicídios só este ano. Outro que responde por assassinato é o sargento Marcelo de Oliveira, mas não há inquéritos contra ele na Corregedoria.

Mortes

A região de Cabo Frio e Arraial do Cabo vive uma intensa disputa de facções do tráfico de drogas com 113 homicídios registrados entre janeiro e outubro. Segundo investigações do Gaeco, 80% dos casos estão ligados ao tráfico. Playboy é responsável pela guerra instalada na região. Ligado ao Comando Vermelho, ele pretendia expulsar da Região dos Lagos as facções rivais.

Segundo a Polícia Civil, Kadu teria envolvimento com traficantes de drogas da favela da Grota, no Complexo do Alemão e chegou a dominar a venda de drogas nos morros Boca do Mato, Alecrim e da Reserva, no Complexo do Lins. Ele responde por tráfico, associação para o tráfico, porte ilegal de arma e homicídio. Durante a prisão dele em janeiro, foram recolhidos quatro veículos, R$ 75 mil e 50 caixas de cápsulas para endolação de drogas.

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