Oficiais que pediram ajuda a PMs acusados de execução são afastados

Capitão confirmou que recebeu uma mensagem com o pedido do major para que acionasse os policiais

Por O Dia

Rio - A Corregedoria Interna da Polícia Militar afastou, nesta sexta-feira, um capitão do 41º BPM (Irajá), e um major do 5º Comando de Policiamento da Área (CPA). Daniel Floriano de Moura e o major Moisés Pinheiro Sardemberg pediram que quatro policiais do batalhão, acusados de terem fuzilados cinco jovens em Costa Barros, agissem para recuperar a carva de um caminhão da cervejaria Ambev, que estava sendo saqueado próximo ao Morro da Lagartixa.

Em depoimento na 39ª DP (Pavuna), o capitão confirmou que recebeu uma mensagem com o pedido do major para que acionasse os policiais, e ligou para a guarnição de plantão dando a ordem. Os dois oficiais foram transferidos para a Diretoria Geral de Pessoal e poderão responder a processo administrativo disciplinar.

Testemunha diz que jovens estavam rendidos

Em depoimento prestado na Delegacia da Pavuna, uma testemunha que passava pelo local em uma moto contou que os cinco jovens assassinados no último sábado em Costa Barros estavam rendidos, com as mãos para o alto, quando foram alvejados pelos policiais militares.  De acordo com o jovem que testemunhou o crime, que é surdo-mudo, todos colocaram as mãos para o alto quando os policiais se aproximaram, mas ainda assim as dezenas de disparos foram efetuadas. A testemunha ainda afirmou que os PMs riam a todo o momento e, depois de matarem os passageiros e o motorista do veículo, colocaram um revólver na mão de um deles.

Deputados foram ao presídio ouvir a versão dos policiais acusados Severino Silva

Revelada pelo jornal Extra, a informação contraria a versão dos quatro militares presos acusados do crime. Eles insistem em afirmar que um dos rapazes teria reagido à abordagem e que na hora dos disparos havia um tiroteio entre facções rivais de traficantes. 

Protesto

Um protesto reuniu cerca de 100 pessoas na frente do Palácio Guanabara. Os manifestantes levaram faixas e cartazes pedindo rapidez na apuração da chacina de Costa Barros. Eles também levaram 111 velas, cada uma  representando um tiro disparado pelos PMs no carro onde estavam as vítimas. O trânsito na Rua Pinheiro Machado chegou a ser fechado em uma das pistas por volta das 19h. 

Deputados ouvem policiais presos

Ainda na sexta-feira, deputados estaduais integrantes de CPIs de segurança pública do Rio ouviram os quatro policiais acusados. Presos na Unidade Especial Prisional (UEP), em Niterói, eles repetiram que um dos rapazes mortos teria atirado contra eles. A perícia técnica, no entanto, não achou vestígio de pólvora na mão de nenhuma das vítimas e suspeita de alterações na cena do crime para forjar um tiroteio.

Segundo o deputado Wanderson Nogueira (PSB), os policiais afirmaram que teriam atirado menos vezes, no total, do que os 63 tiros contados na lataria do carro. De acordo com o presidente da CPI dos Autos de Resistência, Rogério Lisboa (PR), a comissão já apresentou propostas para melhorar a apuração de crimes policiais.

“Sugerimos o uso de câmeras nos coletes, mas encontramos resistência por parte dos comandantes. É estranho que ainda não haja imagens desse caso, inclusive, pois o uso da câmera na viatura é obrigatório”, disse. Lisboa ressaltou o alto índice de mortes decorrentes de ações policiais no Estado do Rio. “São cerca de 600 casos por ano, contra apenas três no DF”, disse o deputado.

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