Costa Barros: Laudo constata 39 tiros, a maioria pelas costas dos jovens

Testemunha contou que os rapazes estavam rendidos quando foram executados por policiais militares

Por O Dia

Rio - Os cinco jovens mortos em Costa Barros por PMs foram atingidos por 39 tiros, dos 63 que acertaram o Fiat Palio no qual as vítimas voltavam do Parque Madureira, onde foram comemorar o primeiro salário de um deles. A maioria dos ferimentos foi nas costas e por balas de fuzil, segundo o laudo de necropsia do Instituto Médico-Legal. Wesley Castro Rodrigues levou 12 tiros; Roberto Penha de Souza foi atingido 11 vezes; e Carlos da Silva Souza foi alvejado por oito balas. Os três estavam no banco traseiro do carro e, juntos, levaram 31 tiros.

Jovens foram fuzilados dentro de carro. Veículo tem mais de 30 marcas de tirosMarina Brandão / Agência O DIA

Nos bancos dianteiros, Cleiton Correa de Souza e Wilton Domingos Júnior, que dirigia o Pálio, foram atingidos por cinco e três disparos respctivamente. De acordo com o documento, ao qual O DIA teve acesso, Wesley sobreu duas fraturas expostas por causa da violência do impacto dos projéteis: uma no braço e outra na coxa.

Uma testemunha contou que os jovens estavam rendidos quando foram executados. Três policiais militares do 41º BPM (Irajá) respondem por homicídio culposo e fraude processual. Um outro PM responde apenas pela tentativa de colocar uma arma junto aos corpos das vítimas, para simular um confronto.

Em depoimento semana passada a deputados estaduais da CPI dos Autos de Resistência da Alerj, os PMs Thiago Resende Viana Barbosa, Marcio Darcy Alves dos Santos, Antonio Carlos Gonçalves Filho e Fabio Pizza Oliveira da Silva disseram que houve troca de tiros na região com traficantes e que estes também balearam o carro dos jovens mortos.

Cinco jovens foram fuzilados em Costa BarrosReprodução / Facebook

A testemunha que depôs na quarta-feira na 39ª DP (Pavuna) contou detalhes da abordagem. Segundo ela, os PMs ainda conversaram com Wilton, que estava ao volante e os jovens levantaram as mãos para cima, em sinal de rendição antes dos PMs começarem a atirar. A testemunha disse ainda que viu um dos PMs colocar uma luva cirúrgica e fazer disparos usando a mão de Wilton, que já agonizava, para simular o confronto 

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