Ruy Chaves: A curiosa vida do estranho Vamp

Vamp não era popular entre as garotas, que se benziam ao vê-lo e corriam para casa

Por O Dia

Rio - Vamp sempre foi um sujeito muito estranho. Nunca mamou no peito, nem tomou mamadeira, nem usou chupeta, mas vivia chorando aos berros querendo limão-galego, pescoço e sangue de galinha. Suas primeiras palavras não foram “papá”, nem “mamã”, nem “vovó”, mas palavrões. Também nunca engatinhou: começou a andar de quatro, a correr de quatro e aos 4 anos conseguiu ficar de pé. Aos 6 vestia-se todo de preto, adorava filme de terror e ganhou seus primeiros dentes, quatro caninos pontudos que brilhavam nas noites de Lua Cheia.

A vida de seus amiguinhos foi experiência inesquecível. Vamp usava Kichute — aos 9 anos calçava 42 — e se deliciava chutando todas as canelas à sua frente. Levava vantagem em tudo, roubava até no par ou ímpar e chegava ao cúmulo de engolir bolas de gude para não perder os jogos, razão por que também engolia pedras de dama e de xadrez e sua eterna paixão, moedas de dólar.

Vamp não era popular entre as garotas, que se benziam ao vê-lo e corriam para casa. Afinal, eram suas diversões fazer xixi no pé das garotas, puxar seus cabelos, morder seus pescoços, soltar pum perto delas. Vamp nunca gostou de garotas. E gostava menos ainda de animais: comia ursinhos de pelúcia, matava passarinho com sua atiradeira, torcia pescoço de pintinhos, mas os gatos, ... ah, os gatos! No rabo dos bichanos amarrava bombas e morteiros, chutava gato morto... Só por um bicho ele tinha amor: por rato, não rato branco ou qualquer rato de adorno, rato de esgoto, de porão, de lixão, rato rato.

Aos 16 anos não completara o primário, mal sabia escrever o nome. Não prestava atenção às aulas nem fazia os deveres de casa. Sempre tentava colar, mas como era grandão e desajeitado era surpreendido em suas más ações e tirava zero. Seus pais nunca assinavam sua caderneta nem iam às reuniões do colégio.

Com 18 anos, Vamp ficou ainda mais estranho: pelos cresceram na palma das mãos, e ele... desapareceu, após ser demitido do laboratório de coleta de sangue: bebia 10% de tudo que colhia! Depois, e por muitos anos, acompanhamos suas travessuras pelas mídias, muito rico, contas na Suíça, especialmente quando foi preso na Lava Jato. Na cela de Vamp, alho e crucifixo, sangue sempre escorrendo da boca.
Cruz credo! Panta rei.

Ruy Chaves é diretor da Estácio e da Academia do Concurso


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