Suspeitos de integrar quadrilha são demitidos em Arraial do Cabo

Demitidos estariam envolvidos com tráfico de drogas, roubo aos cofres do município e arquitetavam vencer a eleição

Por O Dia

Rio - A prefeitura de Arraial do Cabo demitiu nesta sexta-feira seis suspeitos de integrar a quadrilha envolvida com o tráfico de drogas, roubo aos cofres do município e que arquitetava vencer a eleição na cidade no ano que vem. Dos exonerados, um deles é o secretário de Ordem Pública, o sargento PM Marcelo Adriano dos Santos de Oliveira. O afastamento dos cargos foi determinado pela 2ª Vara de São Pedro da Aldeia com base em investigação da Polícia Federal e do Ministério Público.

Na quinta-feira, 15 acusados dos crimes de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa foram denunciados e a Justiça bloqueou R$ 20 milhões do bando. O principal objetivo do esquema era transformar em prefeito de Arraial do Cabo Francisco Eduardo Freire Barboza, pai do traficante Carlos Eduardo da Rocha Freire Barboza, o Kadu ou Playboy. O bandido, da facção criminosa Comando Vermelho (CV), também disputava território nas favelas da Região dos Lagos.

Os dois estão presos desde janeiro e, segundo a Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio (Delepat) da Polícia Federal (PF) e o Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP), comandavam o esquema de dentro da cadeia. Francisco, por exemplo, transformou o presídio Ary Franco em escritório do crime organizado.

Em outubro, Playboy foi transferido de Bangu 3 para Bangu 1, no Complexo de Gericinó. “Ficamos surpresos com a relação do tráfico de drogas e armas com a política, além da atuação deles de dentro dos presídios. O principal acusado era favorito para ser prefeito e a quadrilha tem ramificações em outros municípios da Região dos Lagos, como Cabo Frio e até na Capital”, afirmou o delegado da Polícia Federal Wagner de Menezes. Ele acredita que a ação dos criminosos começou em 2012.

Polícia Federal desmontou quadrilha que pretendia disputar eleição para prefeitura de Arraial do CaboDivulgação

Outra exonerada da prefeitura é Rayanna Teixeira, ex-mulher de Francisco Eduardo. Ela ganhava R$ 1.200, mas era funcionária fantasma da Empresa Cabista de Desenvolvimento Urbano e Turismo (Ecatur), onde Francisco Eduardo também trabalhou como presidente. Há suspeita de que existam mais 20 servidores fantasmas. Foram apreendidos documentos e memórias de computadores nas residências e escritórios dos acusados que podem resultar em outras investigações.

Líderes atrás das grades
A Polícia Federal e o Gaeco pediram à Justiça a transferência do chefe do bando, Francisco Eduardo Freire Barbosa, do presídio Ary Franco para uma penitenciária federal. O filho dele, Playboy deve ter o mesmo destino. Ele está preso em Bangu 1, unidade de segurança máxima.

As regalias de Francisco Eduardo na cadeia estão sendo apuradas pela Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Até agora, um agente é suspeito de envolvimento com o preso.
Só em um contrato de locação de veículos irregular da prefeitura de Arraial do Cabo, o bando lucrou R$ 3,6 milhões e os 20 carros contratados sequer prestavam serviço ao município.
SEGURANÇA

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