Exército vai produzir repelente para gestantes contra o Aedes Aegypti

Casos notificados de microcefalia no Estado do Rio saltaram de 10 para 45

Por O Dia

Rio - Em uma semana, o número de notificações de microcefalia praticamente dobrou no Estado do Rio. Até o último sábado, foram registrados 45 casos da doença que provoca a malformação — 36 de bebês já nascidos —, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde. Até a semana anterior, eram 23. Quando comparado a 2014, em que foram relatados 10 casos no estado, o crescimento é assustador: 350%.

Segundo a Fiocruz, o número de casos no país deve chegar a 2 mil até o fim do mês.
Para o Infectologista do Serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, Alberto Chebabo, esse é o segundo pior surto de doenças de malformação fetal, depois da Talidomida, nos anos 50.

Chebabo afirma que um dos principais fatores que possibilitam esse crescimento avassalador é o fato de a maioria dos casos de zika não apresentar sintomas. “Não sabemos a proporção da doença. O número é provavelmente muito maior, pois cerca de 70% dos casos são assintomáticos ou possuem pouquíssimos sintomas”, explica.

Agentes invadem imóvel abandonado na Tijuca à procura de criadouros do Aedes aegypti%2C após tentativas de vistorias amigáveis frustradasSeverino Silva / Agência O Dia

Ontem o ministro da Saúde, Marcelo Castro, anunciou que o Exército deverá produzir repelente que será distribuído para gestantes. “O laboratório do Exército fabrica repelentes para suas tropas. Entramos em contato e vamos estabelecer uma parceria”, disse.

Depois de 90 casos notificados de zika vírus em Queimados, na Baixada Fluminense, dentre eles duas grávidas, o município mobilizou força-tarefa com 160 agentes para combater o mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, febre chikungunya e da zika. Além da ação, o prefeito Max Lemos criou dois pontos de atendimento às grávidas com suspeita de Zika. Dois carros de fumacê vão intensificar o combate ao inseto.

Aos seis meses de gravidez, a vendedora Aline Cristina, 24 anos, entrou em pânico ao saber que poderia estar infectada. “Tive os sintomas. Os médicos me disseram da suspeita do vírus e fiquei muito preocupada. Meu bebê está bem, mas preciso ficar de repouso e torcer para não ter sequela”, diz.

No Rio, a Secretaria Municipal de Saúde realizou ontem a entrada compulsória em um imóvel abandonado na Tijuca, sem a autorização do proprietário. Só neste ano, já foram mais de 50 inspeções, para vedar caixas d’água, tratar focos com larvicida e fechar locais em que a água poderia ser acumulada. Apesar disso, diversos terrenos ainda possuem água parada, como a equipe do DIA flagrou próximo ao Instituto de Traumato Ortopedia (Into).

O coordenador de Vigilância Ambiental em Saúde, Marcus Vinicius Ferreira, reforça a importância da participação da população no combate ao mosquito em sua residência e na dos vizinhos. “A população deve denunciar e cobrar vistoria em imóveis abandonados”,diz.


No Méier prédio tem surto de Zika

Moradores do Condomínio Aquidabã, no Méier, estão assustados. Ao menos cinco pessoas que moram no prédio foram diagnosticadas com o zika vírus na última semana. A consultora jurídica Luciana Fernandes, 51, é uma delas. Desde o último sábado, ela sente dores no corpo, febre e manchas pela pele. “Meu marido também está doente, começou na terça”, afirma Luciana. “O porteiro adoeceu. Meu medo é que minha filha também fique doente”, admite.

Para ela, o pior é que o condomínio fica bem próximo à maternidade Carmela Dutra, onde funciona um ambulatório. “Aqui sempre está cheio de gestantes, um perigo”, alerta.

A melhor forma de evitar o Aedes aegypti é combater seus criadouros.

PREVENÇÃO

REPELENTES

Existem três tipos de repelentes: à base de OFF, eucalipto e limão e icaridina. Todos são indicados, mas preste atenção no período de efeito para evitar intoxicação. A icaridina tem a duração de até 12 horas, enquanto o OFF deve ser reaplicado a cada três horas.

IDADE CERTA

Segundo o infectologista Alberto Chebabo, crianças maiores de seis meses podem usar tanto o OFF quanto a icaridina. No entanto, todos precisam testar os produtos em uma pequena parte do corpo para ver se não há alergia. Antes dos seis meses, a prevenção deve ser feito por mosquiteiros e repelentes naturais.

GESTANTES

Grávidas também podem utilizar repelentes sem restrições, mas precisam fazer teste em pequena área de pele para verificar alergias e respeitar os intervalos de aplicação.

HÁBITOS DIURNOS

Segundo Chebabo, o Aedes aegypti tem hábitos diurnos. Picadas noturnas são feitas por pernilongos.

Reportagem de Tássia di Carvalho, Aline Cavalcante e da estagiária Marina Brandão

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