Menino que morreu vítima de bala perdida na Mangueira é sepultado

Moradores da Favela do Metrô prometem fazer uma caminhada até a sede da prefeitura nesta segunda-feira

Por O Dia

Rio - ‘Gente, só vou pedir uma coisa: deixem o meu filho descansar. Vamos nos encontrar um dia. Adeus!’ Essas foram as últimas palavras de Gabriela Gomes, de 20 anos, antes de fechar com as próprias mãos o caixão do filho, Ruan Bruno Gomes Nunes, de 2, atingido por bala perdida na madrugada de sábado, na Favela do Metrô, na Mangueira.

A criança foi sepultada neste domingo no Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi. Ele foi baleado no peito enquanto dormia em casa. No momento, havia um intenso tiroteio entre policiais e traficantes.

A mãe de Ruan Bruno, Gabriela Gomes, de 20 anos, abraça o caixão do menino que morreu vítima de bala perdida na madrugada de sábadoAlexandre Brum / Agência O Dia

Abalada, a mãe de Ruan abraçou o carro funerário na chegada do corpo ao local. Chorando muito, ela perguntava: “Como vou trocar sua fralda agora? Como vou dar papá para meu neném?” Para que Ruan pudesse ser enterrado, moradores arrecadaram R$ 977,60 para pagar o sepultamento. Esse dinheiro seria para a realização da festa de Natal na comunidade. Segundo parentes, não teve velório porque a família não tinha R$ 500 para pagar o formol.

De acordo com a dona de casa Renata Araújo, de 28 anos, amiga da família, Gabriela foi uma das moradoras cujas casas foram demolidas pela prefeitura este ano, na Favela do Metrô. Ela perdeu todos os móveis. “Desta vez perdeu algo mais importante. Sua vida é muito sofrida. Ela não quer voltar para atual casa onde o Ruan foi morto. O clima é de luto”, comentou.

Aproximadamente 50 pessoas compareceram na tarde desde domingo ao Cemitério do Catumbi para o sepultamento de Ruan Bruno, de 2 anosAlexandre Brum / Agência O Dia

Depois do sepultamento, Gabriela desmaiou e teve que ser carregada. Parentes levaram cartazes pedindo justiça: “Bala direcionada não pode ser considerada bala perdida”. Entretanto, parentes e amigos não sabem dizer se o tiro que matou o menino teria partido de traficantes ou de policiais.

Uma bandeira de três metros com as cores do Brasil também foi levada pela família durante o cortejo, que contou com mais de 50 pessoas. Temendo um protesto de parentes e amigos de Ruan, a Polícia Militar deslocou uma viatura para que ficasse na porta do cemitério.

Na segunda-feira, os moradores prometem se reunir às 11h, na Favela do Metrô, e farão caminhada até a sede da prefeitura, na Cidade Nova.


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