Por paulo.gomes
Publicado 17/12/2015 11:49 | Atualizado 17/12/2015 23:20

Rio - Água é vida, mas se não estiver em condições apropriadas ao consumo pode virar veneno. E matar. E era justamente um líquido impuro que uma quadrilha de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, vendia na região, como se fosse água potável. O grupo criminoso, que dominava o mercado de água na cidade e tinha entre seus clientes hospitais, supermercados e casas de família, foi desbaratado, nesta quinta-feira, pelo Ministério Público (MP) e Polícia Civil, durante a Operação Hydra. 


Quadrilha vendia água imprópria para consumo em Duque de CaxiasDivulgação


Segundo a investigação, os bandidos chegavam a vender 450 mil litros de água suja, por mês, faturando até R$540 mil, no verão. O produto era extraído de poços artesianos clandestinos e rios. A água não sofria qualquer tratamento e as pessoas, inocentemente, consumiam. A ingestão de água imprópria pode ocasionar várias doenças, tanto em crianças, quanto em adultos. “Dependendo do estado nutricional e imunológico do paciente, os males podem ser hepatites fulminantes e infecções generalizadas que, eventualmente, matam”, adverte o chefe do Serviço de Infectologia do Hospital São Francisco na

Providência de Deus, Jadir Fagundes Netto. A quadrilha, liderada por Reinaldo Souza Rocha, conhecido como Rei Água, tinha estrutura gigantesca: 16 pessoas foram denunciadas e dos sete mandados de prisão expedidos pela Justiça, seis foram cumpridos. A quadrilha agia, pelo menos, desde o ano passado, quando alugou um sítio, em Caxias, que era usado como sede do bando.

Fonte na piscina de vereador

A organização criminosa “dispunha de 18 caminhões-pipa e um caminhão-trator, além de ter a capacidade para extrair aproximados 100 mil litros por dia de água imprópria para o consumo, a qual era captada da piscina do sítio”, segundo o Ministério Público.

O sítio pertence ao vereador e presidente da Câmara Municipal de São João de Meriti, Carlos Roberto Rodrigues, o “Bebeto” - que não foi denunciado porque não sabia das atividades criminosas da quadrilha.
“Temos provas que mostram as mangueiras de captação de água na piscina, com crianças e familiares dos funcionários tomando banho e se divertindo”, contou o delegado Marcos Santana , da Delegacia de Imbariê. O bando concentrava as ações nos bairros de Saracuruna, Jardim Primavera, Taquara e Gramacho.
Eles foram denunciados por organização criminosa, crime ambiental e contra as relações de consumo.

Reportagem de Adriana Cruz e Wilson Aquino

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