Por bianca.lobianco
Publicado 20/12/2015 00:44 | Atualizado 20/12/2015 00:48

Rio - A partir de fevereiro, a fila vai andar mais rápido nos 49 postos de vistoria do Departamento de Trânsito do Rio (Detran-RJ), distribuídos pelo estado. Segundo a diretora de Registro de Veículos (DRV), Carla Adriana Pereira, com a implantação da tecnologia de Reconhecimento Ótico de Caracteres (OCR, na sigla em inglês), o tempo de permanência do usuário nos postos será reduzido para 20 minutos. Hoje, o motorista leva de 30 minutos a uma hora. Isso, quando as coisas estão funcionando bem. Há casos, em que o processo de vistoria ultrapassa duas horas.

Além de agilizar o atendimento ao usuário do Detran%2C o sistema vai ajudar a combater fraudes Banco de imagens

“Com a implantação do novo sistema, o veículo passa a ser monitorado desde a entrada no posto até a saída, já com o documento pronto”, explicou Carla Adriana. Cada etapa da vistoria será cronometrada. As imagens serão transmitidas, em tempo real, para a sede do Detran, onde uma equipe de experientes profissionais conseguirá identificar as causas do gargalo no posto e tomar as providências para corrigir.

“Às vezes, o problema é ocasionado porque um prestador de serviço faltou ou alguma máquina enguiçou. Qualquer que seja a eventualidade, os técnicos estão capacitados para resolver,mesmo à distância”, garantiu a diretora.

Alguns setores do Detran já utilizam tecnologia avançada, como é o caso da Identificação Civil. “Outros setores, como a vistoria, no entanto, precisavam ser bastante modernizados”, reconhece o presidente do órgão, José Carlos dos Santos Araújo. Ele adiantou que a implantação do OCR é o primeiro passo rumo à modernização do órgão. “O projeto global prevê que o monitoramento seja reunido a outros processos, que serão implantados no período de dois a três anos, e que integrarão todas as informações dos nossos bancos de dados.” O órgão está investindo R$20 milhões em informatização para agilizar a prestação de serviços.

O Estado do Rio tem uma frota estimada em 6,7 milhões de veículos. Porém, apenas 3,5 milhões estão com os impostos em dia e aptos a realizar vistorias. Este ano, cerca de 3 milhões de veículos foram submetidos à inspeção, o que representa um aumento de 6,78% em comparação com 2014.

O Código Brasileiro de Trânsito prevê que conduzir veículo que não esteja registrado e devidamente licenciado é infração gravíssima, com punição de perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), multa no valor de R$ 191,54 e apreensão do veículo. O Rio é o único Estado da Federação que cumpre a Lei e exige a vistoria.

O monitoramento em tempo real é ferramenta que facilita a identificação de irregularidades a distância

O sistema foi concebido para dar mais agilidade à prestação de serviços do Detran.Além disso, contribuirá também para combater fraudes.

“Vai garantir a presença física do veículo agendado no posto de vistoria”, afirmou a diretora Carla Adriana, reconhecendo que muitos “carros-fantasmas” continuam a circular porque os proprietários pagam propina para não ir à inspeção. “Isso não vai mais existir”, enfatizou ela.

O corregedor-geral do órgão, Marcus Drucker Brandão, responsável pelas atividades internas de controle, também acredita que equipamento vai incrementar a segurança. “O monitoramento em tempo real vai inibir possíveis desvios de função, porque facilita a identificação de irregularidades à distância”, esclareceu.
Outro ponto destacado por Marcus Drucker é o fato de o sistema acabar com o excesso de papel.

“O controle digitalizado ou anotado em planilhas está com os dias contados. Tudo será controlado eletronicamente, o que oferece mais segurança aos dados”, garantiu.

O diretor da Associação Brasileira dos Profissionais de Segurança (Abseg), Vinicius Cavalcante lamenta que serviços como o do Detran ainda sejam vulneráveis a fraudes. Ele acredita que o emprego da tecnologia de imagem vai permitir a identificação de irregularidades, ao mesmo tempo em que proporcionará provas efetivas para condenar possíveis transgressores.

“A luta contra a corrupção pressupõe, além dos recursos tecnológicos e de inteligência, ações de permanente verificação de sinais de enriquecimento ilícito”, advertiu.

Reportagem de Wilson Aquino

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