Por felipe.martins
Publicado 19/12/2015 01:03 | Atualizado 19/12/2015 02:43

Rio -No segundo dia de greve dos médicos e enfermeiros das Unidades de Pronto-Atendimento, pacientes ficaram desesperados com a suspensão das consultas. Em Copacabana, uma UPA chegou a ter a porta de vidro quebrada por um homem que estava indignado com os grevistas. Os profissionais de saúde das UPAs estão paralisados desde quinta-feira por melhores condições de trabalho e contra o atraso do 13º imposto pelo governo do estado. Apenas os casos de urgência são atendidos. 

Em Botafogo, o garçom Otalício Oliveira Lima, de 47 anos, procurou a UPA, sem sucesso. “Estou rolando de um lado para outro, com dor e tive que apelar para auto-medicação. Sequer falam se eu posso tomar o remédio”, contou ele, que foi antes à UPA do Centro, como também em dois hospitais da Prefeitura, ambos sobrecarregados.

UPA de Copacabana%3A pacientes ficaram indignados com suspensão do atendimento e triagem de pacientes para outras unidades do Rio Shana Reis / Divulgação

Preocupada com a incidência de doenças como zika, a auxiliar de enfermagem Bárbara Carvalho, de 58 anos, não passou da porta na UPA de Copacabana. “É desumano. Estou com muita dor nas juntas e tentarei ir à UPA de Manguinhos”, queixou-se Bárbara.

Ainda na de Copacabana, um casal de franceses tentou atendimento para um bebê de sete meses com febre de quase quarenta graus há três dias. A família foi submetida a uma espécie de triagem feita pelo segurança. Sem avaliação de um único profissional de saúde, mãe, pai e filho foram encaminhados ao Hospital Miguel Couto, no Leblon, até que um funcionário correu atrás deles para indicar o Centro de Saúde João Barros Barreto, também em Copacabana.

O Centro de Saúde, por sua vez, lotou com a chegada de pacientes oriundos das UPAs. Segundo a contabilidade de uma médica que não quis se identificar, o Centro de Saúde atendeu 20 pessoas oriundos da UPAs, provocando filas e atrasando os pacientes com consultas agendadas previamente. O Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro classificou como irresponsabilidade a negativa de atendimento nos hospitais e condenou a triagem feita por profissionais que não são da área, como seguranças.

SEM FILA E SEM GREVE

As unidades que funcionaram normalmente, como a da Ilha do Governador, tiveram queda no movimento. “Acho que ninguém sabe que está funcionando. Foi tão rápido, mal entrei e me chamaram”, contou Juliana Brito, de 28 anos.

Força-tarefa tenta socorrer o caos da saúde pública do estado

O Governo do Estado e prefeituras fluminenses montaram uma força-tarefa para redistribuir pacientes, leitos e insumos entre hospitais em crise e os de melhores condições para tentar minimizar a os problemas na rede pública estadual de saúde .

Bárbara Carvalho e Otacílio Oliveira%3A consultas negadas na Zona SulDivulgação

De acordo com o secretário da pasta, Felipe Peixoto, o objetivo da permuta é garantir atendimentos e procedimentos médicos. “Se tivermos um hospital que tem equipe médica, mas falta material para realizar certa cirurgia, a gente pode mandar os instrumentos para realizar a operação”, exemplificou Peixoto. A medida, segundo o secretário, é provisória. A força-tarefa funcionará até que a Secretaria obtenha a verba de R$ 550 milhões, que, segundo Peixoto, é essencial para estabilizar a situação da rede pública de saúde do estado.

O Ministério da Saúde prometeu liberar R$ 90 milhões até janeiro para evitar um possível colapso no estado. A primeira metade do valor deverá sair na próxima semana. Instituições federais, como os institutos nacionais do Câncer (Inca) e o de Traumatologia e Ortopedia (Into), redes universitárias também integram a força-tarefa.


 

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