Abertura do Carnaval termina em confronto com a Guarda Municipal

Tumulto teve início na altura das escadarias da Câmara Municipal. Agentes dispararam balas de borracha nos foliões

Por O Dia

Rio - A abertura não-oficial do Carnaval carioca terminou de forma violenta para centenas de pessoas, no Centro do Rio, após um confronto entre a Guarda Municipal, vendedores ambulantes e foliões. O evento, organizado por diversos blocos da cidade há alguns anos, começou no fim da manhã na Praça 15. Após apresentações de grupos no local, integrantes de alguns cordões, entre eles o Boi Tolo, seguiram em desfile pelas ruas da região até a Cinelândia, onde ocorreu o tumulto.

Folião mostra ferimentos diante dos guardas na CinelândiaJoão Laet / Agência O Dia

De acordo com foliões que presenciaram a confusão, agentes da Guarda agiram com violência excessiva. Eles teriam usado bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Algumas pessoas reagiram jogando pedras e garrafas de água e cerveja. Houve alguns feridos sem gravidade, mas, até o fechamento desta edição, não houve registro de atendimento nos hospitais.

A confusão teria começado por volta das 19h30, quando uma equipe da Guarda Municipal tentou apreender mercadorias de um ambulante. Ele teve o isopor quebrado e populares vaiaram a ação dos agentes, que acompanhavam o desfile pela Avenida Rio Branco, dando início ao tumulto. O comércio fechou as portas, e os acessos da estação do metrô também foram fechados.

Mais cedo%2C foliões se divertiram nos blocosJoão Laet / Agência O Dia

O estudante de pedagogia João Victor Brito, de 24 anos, estava próximo das escadarias da Câmara Municipal, onde começou o tumulto e criticou a ação da Guarda. “Foram confiscar a mercadoria de um ambulante com truculência. Quebraram o isopor dele. A revolta então foi total. Em seguida começou uma guerra com bombas”, disse o jovem.

De acordo com a foliã Creuza Gravina, de 38, muitos correram para dentro de restaurantes para fugir das bombas de gás. “Uma menina estava tentando filmar a ação da Guarda e jogaram uma bomba na direção dela. Ela entrou no banheiro do restaurante desesperada e passando mal”, afirmou.

A jornalista Karina Maia, foi uma das agredidas com bombas de gás. “O Boi Tolo saiu da Praça 15 e seguiu para a Cinelândia normalmente. A Guarda já chegou com truculência. Foi surreal. Muita correria. Só não fui agredida com golpe de cassetete porque estava na parte alta da escadaria da Câmara Municipal. Esse Carnaval não oficial acontece todos os anos e nunca teve violência”, lembrou.

O DIA tentou contato com a assessoria de comunicação da Guarda Municipal no domingo à noite, mas não obteve resposta.

Abertura Não Oficial do Carnaval carioca teve repreensão e balas de borrachaLucas Gayoso / Agência O Dia



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