Crise afeta até atendimento no Instituto Médico Legal

Unidade do Centro está com o atendimento parcial

Por O Dia

Rio - Quem passou nesta terça-feira pelo o Instituto Médico Legal, no Centro do Rio, teve que enfrentar não apenas a dor de reconhecer o corpo de um parente querido, mas também os efeitos da crise financeira do Estado. Funcionários responsáveis pelo atendimento faltaram ao trabalho, alegando atrasos nos salários. Por volta das 11h, três horas após o início do expediente, mais de 20 pessoas esperavam na sala de atendimento.

Familiares dos mortos, cujos corpos chegaram ao IML no dia anterior, estavam perdidos com a pouca informação. Gisele Almeida, 26 anos, estava em busca do irmão desde terça-feira. “É um desrespeito. Foram pedir a minha identidade só agora às 11h de hoje (ontem)”, contou a jovem, que ainda não tinha previsão de quando o corpo do irmão Gilmar iria ser liberado do IML.

Sem atendimento social no IML do Centro%2C familiares dos mortos se queixaram de falta de informaçõesAmanda Raiter / Agência O Dia

O tempo avançava também para o vendedor Diogo Bagani, de 19 anos. O adolescente precisava enterrar o pai, que sofrera uma queda, mas o funeral teve que ser adiado. O sepultamento estava previsto para as 13h, em Inhaúma, mas após meio-dia o corpo do homem ainda estava no IML aguardando a liberação. “Cheguei às 7h40 para o reconhecimento e não reconheci o corpo ainda”, queixou-se o Diogo.

Mais dramática era a situação de Almir de Carvalho, desesperado com a morte do filho Denis de apenas 13 anos. Ele passou a manhã buscando respostas que nunca chegavam. “Quero um laudo, saber o que matou meu filho, mas estou perdido, só ouvindo comentários de que tem pouca gente trabalhando”, disse.

Desolado%2C Diogo não conseguiu enterrar o pai no horário previsto Amanda Raiter / Agência O Dia

Para amenizar os transtornos, a Polícia Civil deslocou equipes extras para o IML. Sobre a espera, a Polícia afirmou que a liberação dos corpos depende da apresentação de documentação completa, que muitas vezes tem itens pendentes, além da necessidade ou não de perícia minuciosa. Entretanto, negou a suposta relação entre a ausência de funcionários e a fila. Segundo a Polícia Civil, peritos e demais policiais civis estavam trabalhando normalmente. O setor de Exame de Corpo de Delito, não foi afetado pela falta de servidores.

Funcionários sem salário de novembro

A paralisação parcial do atendimento social da unidade teria sido motivada por falta de pagamento. Segundo a Secretaria Estadual de Fazenda, ainda estão pendentes parte do pagamento de novembro e do décimo terceiro.

O órgão, que alega indisponibilidade de recurso em caixa, ainda informou que vai fazer os repasses aos fornecedores, inclusive os contratantes dos colaboradores do setor, o mais rápido possível. 

No mês de dezembro, uma geladeira do IML quebrou e peritos denunciaram que dezenas de corpos foram armazenados em um espaço improvisados nos corredores da unidade. 

Na mesma ocasião, um corpo foi trocado. A assessoria acrescentou que o problema foi resolvido e que, embora um refrigerador estivesse em manutenção, os mortos foram comportados nas demais geladeiras do IML.

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