Moradores de Nova Iguaçu protestam contra chip da Light

Moradores reclamam que, após instalação do equipamento, contas dispararam. Para um deles, alta foi de 728%

Por O Dia

Rio - Moradores de pelo menos 12 bairros de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, estão assustados com o aumento expressivo nas contas de luz. Na casa de um deles, por exemplo, houve um salto de R$ 246,27 em novembro para R$ 2.038 este mês. Um crescimento de 728%. Segundo eles, o problema começou há três meses, após a instalação de relógios digitais com os chips da Light nas residências.

Revoltados, muitos espalharam faixas em postes e comércios locais, além de colarem adesivos no portão de casa com os seguintes dizeres: ‘Senhores funcionários da Light. Eu não autorizo a colocação do novo chip e muito menos a sua entrada na minha residência”.

Organizado pelo advogado Denilson Marques, de 46 anos, o movimento: ‘Fora chip da Light. Nova Iguaçu não quer você”, mais de dez mil assinaturas foram recolhidas nos bairros Parque Flora, Botafogo, Ambaí, Três Corações, Jardim Ocidental, Santa Rita, Corumbá, Monte Castelo, Gerard Danon, Cerâmica, Miguel Couto e Cobrex.

Movimento reuniu mais de 10 mil assinaturas contra equipamento. Light garante que não impacta na contaDiego Valdevino / Agência O Dia

“Entre dezembro e este mês, entregamos ao Ministério Público, Prefeitura e Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, além da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) da região, documentos protocolados pedindo a retirada dos chips. Na casa onde moram meus pais, a conta de luz era de R$ 250. Em três meses subiu para mais de R$ 700. Um absurdo”, reclamou o morador da Avenida Oswaldo Cruz, em Botafogo.

E o aumento abusivo na conta de energia está alterando até a rotina dos moradores, como a comerciante Márcia de Assis Neves, 42. Em sua casa, na Estrada de Santa Rita, no Parque Flora, a conta aumentou misteriosamente. “Em novembro veio R$ 246,27, no mês seguinte R$ 1.515,13 e agora R$ 2.038,11. Vou esperar cortar a luz, pois não tenho como pagar por esse disparate. Vou ter que me mudar para a casa do meu pai, em Belford Roxo, até que resolva esse problema”, lamentou.

Márcia mora com o marido e um filho de 10 anos, que possuem uma renda mensal de R$ 2 mil . “Nem chuveiro elétrico há em casa. Durmo no calor e sem ar condicionado. Só gasto energia com geladeira e televisão. Quero entender esse consumo alto de energia”, indagou inconformada.

Problema semelhante vive a comerciante Shirley Cristina Pereira, 40. Moradora da Rua Junqueira, em Botafogo, ela conta que sua conta, que antes da instalação do chip vinha menos de R$ 200, agora, o valor não é menos do que R$ 500. “Quase triplicou o valor. Isso porque só mora eu, minha mãe e uma filha”, comentou.

LIGHT SE DEFENDE

A Light informou que a troca do medidor analógico para o digital não gera nenhum impacto no valor da conta de energia, e que ele constitui um avanço tecnológico, como a realizada em outros serviços, tendo como exemplo os taxímetros (a mudança da antiga “capelinha” para o taxímetro eletrônico). Ainda segundo a nota, a ‘nova tecnologia de medição apenas registra o real consumo de energia daquele cliente’.

De acordo com a Light, os medidores não são propriedade do cliente, e sim da companhia. Portanto, a empresa não precisa da autorização do cliente para instalar o equipamento. Todos os medidores eletrônicos instalados pela Light são homologados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo Inmetro e sua instalação é autorizada pela agência reguladora.

A empresa disse que até o 3º trimestre de 2015, o número total de medidores eletrônicos instalados chegou a 770 mil, dentro dos 31 municípios da área de concessão.

A prefeitura disse que recebeu o abaixo assinado e que foi encaminhado para a Secretaria de Meio Ambiente, Urbanismo e Habitação. Ao analisar o pedido junto com a Procuradoria Geral do Município, a mesma deu um parecer jurídico onde, não há como interferir neste processo, uma vez que a Light é uma concessão federal.

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