Delegacia pede prisão de PMs que torturaram jovens em Santa Teresa

De acordo com o delegado titular da unidade, as vítimas foram ouvidas e os laudos de exame de corpo de delito anexados

Por O Dia

Rio -  A 6ª DP (Cidade Nova) pediu a prisão dos oito PMs da UPP Coroa/Fallet/Fogueteiro acusados de roubo, tortura e abuso sexual a cinco jovens da comunidade, em Santa Teresa, no final de dezembro. Os policiais militares são identificados como Jordane Cabral da Silva, Vinicius de Amorim Tosta, Antônio Carlos de Oliveira, Diogo Santos Bocks da Silva, Helder Omena Ferreira Ribeiro, Rafael dos Santos do Amaral, Wesley Medina Assis e Carlos André Lourenço do Nascimento.

De acordo com o delegado titular da unidade, André Pieroni, as vítimas foram ouvidas e os laudos de exame de corpo de delito anexados. Os agentes analisaram ainda imagens que registraram o fato.

Lembre o caso

Na madrugada do dia 26 de dezembro, O DIA denunciou o caso com exclusividade. Quatro jovens que voltavam de uma festa na comunidade Santo Amaro, no Catete, denunciaram na 6ª DP (Cidade Nova) que foram torturados e roubados por oito PMs da UPP Coroa, Fallet e Fogueteiro. Eles voltavam de moto em Santa Teresa. A blitz terminou com uma mulher baleada. Os PMs foram presos administrativamente.

Jovens mostram marcas de torturaAlexandre Brum / Agência O Dia

Na ocasião, dois irmãos, de 23 e 20 anos, mostraram na delegacia ferimentos nas pernas e nos braços, segundo eles provocados com faca quente pelos policiais. Ambos relataram ter recebido socos no nariz. Um adolescente de 17 anos contou que teve o cabelo incinerado com isqueiro, o saco escrotal queimado com faca quente e que ainda foi obrigado a praticar sexo oral com o amigo enquanto um PM filmava a cena na rua.

“Abordaram a gente de forma agressiva, esquentaram a faca e cortaram a gente. Queimaram o cabelo dele (jovem de 17), obrigaram dois amigos a fazerem um vídeo explícito. Gravaram rindo e xingando. Falaram que quando pegarem a gente na rua de novo vão matar. Tudo porque a gente estava sem capacete na moto. Eles alegaram que estavam com raiva por estarem de serviço no Natal”, contou o rapaz de 23 anos.

Segundo eles, todos foram obrigados a ficar nus na rua e os policiais ainda bateram nas orelhas de um garoto de 13 anos, que também prestou depoimento, e no peito de um quinto rapaz, de 21, que teria ido para o hospital com falta de ar. Os jovens disseram que o caso aconteceu na Rua Prefeito João Felipe e que voltavam para casa, no Rio Comprido.


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