Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - Reforma nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), treinamento contra o terrorismo, criação de um grupo para acompanhar o uso do dinheiro do Fundo de Saúde da Polícia Militar (Fuspom) e rigor na apuração dos desvios de conduta. Essas são algumas das ações que o comandante-geral da PM, coronel Edison Duarte Santos Júnior, afirmou que colocará em prática durante sua gestão, que começou há quatro dias. O oficial tomou posse na última segunda-feira, quando já iniciou algumas das mudanças nos batalhões.
Uma delas foi na Unidade Prisional (UP), antigo Batalhão Especial Prisional (BEP), onde há quase 300 policiais presos e que ficou conhecida pelas mordomias dadas aos detentos. Deixa o comando o tenente-coronel Murilo Sérgio de Miranda Angelotti para dar lugar ao tenente-coronel Max Fernandes dos Santos, que tem o perfil mais correicional.
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Para iniciar o processo de mudanças nas UPPs, Duarte pediu ao coronel Luís Cláudio Laviano, responsável pela Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CCP), um levantamento sobre as UPPs que já está sendo elaborado. O oficial quer saber exatamente o perfil de cada uma das UPPs para traçar ações a fim de melhorar a política de pacificação. Segundo ele, é preciso saber se há déficit de policiais nas unidades, se falta de treinamento, porque algumas perderam seus projetos sociais e ainda o que fazer para melhorar a relação da PM com os moradores das comunidades pacificadas.
"Vamos avaliar esse relatório para ver que tipo de medida vamos tomar. Se os problemas dizem respeito apenas à PM ou se vão além da ação das UPPs", disse o oficial, referindo-se aos projetos sociais levados pela iniciativa privada às favelas após a pacificação. Segundo ele, muitos já não existem. "Precisamos saber quais foram as implicações que isso trouxe à comunidade. Criança que estava num projeto pode estar pegando em armas, por exemplo", disse o comandante.
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Segundo o chefe do Estado-Maior, coronel Lima Freire, as mortes de policiais e inocentes em confrontos em áreas pacificadas motivaram o estudo sobre as UPPs. "Vimos a frequência com que isso vinha acontecendo e percebemos o quanto o policial está vulnerável por estar presente nessas comunidades, ao contrário dos policiais dos batalhões de área que entram e saem durante as operações", explicou o oficial.
O anúncio de um novo diagnóstico sobre as comunidades pacificadas, feito na quarta-feira, acontece no dia seguinte a dois confrontos no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, que tem UPP. Num deles, na noite de terça-feira, Taís de Souza Santos, de 13 anos, foi baleada na nuca e está em estado muito grave no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro. Ela estava dentro de casa quando foi atingida. Horas antes, o cabo Wanderson Galo de Souza foi ferido por dois tiros, e levado para o Hospital da Polícia Militar, no Estácio. Um homem, que seria bandido, foi morto.
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A PM tem atualmente 149 projetos sociais nas comunidades pacificadas. Durante a instalação das UPPs, muitos órgãos também entraram com ações sociais nas favelas. No entanto, Lima Freire afirmou que os empresários têm apoiado mais as unidades da Zona Sul. "O empresário é livre para aplicar o dinheiro dele no projeto que quiser. Mas ninguém apoia áreas como Arará, Jacarezinho e Mandela, por exemplo. Não vou falar de nome de empresas, mas há as que saíram de regiões que ficavam fora do circuito da Zona Sul", ressaltou o oficial.
O comandante-geral disse ainda que está sendo elaborado um projeto para treinar a tropa contra o terrorismo para atuar, principalmente nos grandes eventos. "O programa está quase pronto. Os policiais vão aprender, por exemplo, como agir no caso de encontrar um material suspeito, entre outras ações contra o terrorismo. Já escolhemos os instrutores, que estão selecionando os policiais para participarem do projeto", revelou Duarte.
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A criação de uma comissão para acompanhar o uso do dinheiro do Fuspom também já está em andamento. O grupo será multidisciplinar. A decisão foi tomada após a prisão, mês passado, de uma quadrilha de 22 pessoas, incluindo oficiais da cúpula da PM, que desviaram R$ 16 milhões do Fuspom, dinheiro empregado nas unidades hospitalares da PM. "A ideia é que esse grupo seja informado sobre todos os processos que envolvem o uso desse dinheiro. Queremos transparência", afirmou o comandante-geral.
Sobre os desvios de conduta, o comandante-geral foi taxativo. "A resposta para quem insistir nesse caminho já foi dada (referindo-se às prisões dos oficiais no caso do Fuspom): estão todos presos. Vamos continuar agindo contra isso", avisou ele que terá como chefe de gabinete o ex-corregedor interno da PM, coronel Victor Yunes.