Prefeitura assume Albert Schweitzer, faz faxina externa e usuários reclamam

'Querem deixar tudo bonito fora, mas lá dentro nada funciona', reclamou uma parente de paciente internado

Por O Dia

Rio - As mudanças no Hospital Albert Schweitzer começaram pelo lado de fora. ONesta quinta-feira de manhã, moradores de Realengo, na Zona Oeste, foram surpreendidos com obras de manutenção da rede elétrica, recapeamento da pista e poda de árvores na Rua Nilópolis, endereço da unidade. A transferência do hospital estadual para a prefeitura foi marcada pela derrubada das grades que cercavam o local.

Parentes de doentes internados no local criticaram a realização de serviços apenas na área externa da unidade. “Acho uma palhaçada. Querem deixar tudo bonito fora, mas lá dentro nada funciona. É um absurdo”, afirmou a dona de casa Márcia Cristina, que está com o genro internado devido a um acidente de trabalho.

Candidato do prefeito Eduardo Paes à sucessão e designado para comandar a transição de dois hospitais da Zona Oeste para a prefeitura, o secretário executivo de Coordenação de Governo, Pedro Paulo Teixeira, rebateu a observação, afirmando que a nova gestão do hospital está olhando a unidade “como um todo”.

“Queremos organizar a entrada do hospital e estamos fazendo levantamentos técnicos para a implosão de um prédio ao lado que virou um depósito de lixo”, anunciou. E completou: “Não quer dizer que a prefeitura não olhava para esse entorno do Albert. Estamos seguindo com obras da canalização do Rio Manilha, que sempre causou enchentes na região e o desperdício de materiais hospitalares.”

Ele garantiu que a maior parte dos leitos do Albert Schweitzer foi integrada ao sistema da prefeitura e pode ser conferida pela população no site da Secretaria municipal de Saúde. “Nossa primeira medida foi regular os leitos. O hospital tem 484 e, nessas poucas horas desde a posse, já inscrevemos 440 em nosso sistema. Os pacientes podem checar online quais hospitais têm mais leitos disponíveis e o nome de quem está nos ocupados”, explicou. Segundo Pedro Paulo, o hospital de Realengo continua sob responsabilidade da Organização de Saúde HMTJ, enquanto o Rocha Faria, em Campo Grande, será assumido por uma nova OS a partir de segunda-feira. 

Unidades federais vão ganhar 923 novos funcionários

Como O DIA antecipou nesta quinta, o Ministério da Saúde contrata, nos próximos 20 dias, 2.493 profissionais para reforçar o atendimento no estado. Os novos contratados — 693 médicos, 605 enfermeiros, 580 técnicos de enfermagem, 341 analistas de gestão e 274 técnicos de suporte — vão atuar por dois anos nos seis hospitais e dois institutos federais no Rio. Do total de vagas, porém, 1.570 são destinadas a substituir profissionais que terão seus contratos vencidos em fevereiro. Portanto, o reforço mesmo será de 923 profissionais, para atender a “eventual crescimento da demanda por conta dos Jogos Olímpicos Rio 2016”, como informou o ministério.

A abertura do processo seletivo, iniciada nes ta quinta-feira e que vai até dia 22, foi anunciada durante reunião do Gabinete de Crise para tratar dos problemas de atendimento na rede estadual do Rio. Em dezembro, o governo federal já havia anunciado a liberação de R$ 155 milhões para o governo do estado e a abertura de mais 1.500 leitos. “As novas contratações possibilitarão ampliar o atendimento realizado nos hospitais federais”, disse o secretário de Atenção à Saúde do ministério, Alberto Beltrame.

A medida vai custar R$ 261,8 milhões até 2017 e garantir a ativação de mais 34 leitos de UTI, distribuídos nos hospitais do Andaraí, de Bonsucesso, de Ipanema, da Lagoa e no Federal dos Servidores do Estado, permitindo mais 3.600 internações por ano. Também serão ativados mais 120 leitos cirúrgicos nos hospitais da Lagoa, do Andaraí, de Ipanema e no Servidores , o que deve garantir mais 3.600 cirurgias por ano. Também contarão com o reforço o Hospital Federal Cardoso Fontes, o Instituto Nacional de Cardiologia e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia.

O edital das contratações posde ser acessado no site do Ministério da Saúde. Ao todo, as unidades federais do Rio contam hoje com 17.412 profissionais efetivos e temporários, sendo que 14.385 entraram nos últimos 10 anos.


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