Famílias ficam confusas com mudança no calendário de vacinação

Ao todo, cinco tipos de vacinas sofreram alterações: seja nas idades em que se devem tomar, seja na quantidade de doses. Postos reclamam da falta de lotes

Por O Dia

Rio - O novo calendário de vacinação infantojuvenil já está valendo nos postos de saúde desde o dia 5, mas as famílias cariocas ainda estão confusas. A dona de casa Caroline de Paula, de 23 anos, por exemplo, saiu do posto de saúde com o filho de 1 ano sem conhecer o novo sistema. “Não me informaram nada sobre essa alteração”, preocupou-se.

Ao todo, cinco tipos de vacinas sofreram mudanças: seja nas idades em que se devem tomar, seja na quantidade de doses.  Na Pneumocócica, acaba a terceira dose. As duas primeiras ficam mantidas aos dois e quartos meses de vida. O reforço passa ser dado de um aos quatro anos. Também deixa de ser aplicada a terceira dose da Meningocócica C. O reforço, que antes ocorria dos 15 meses aos dois anos, pode agora ser dado até os quatro anos de idade.

Clique sobre a imagem para visualizar o calendário de vacinaçãoArte O Dia

Quanto à Pólio, sai de cena o personagem-ídolo da garotada, Zé Gotinha. As vacinas deixam de ser em gotas para bebês aos 6 meses de vida e passam a ser oferecidas em seringas. Os médicos informam que os efeitos colaterais são menores.

Para evitar a Hepatite A, meninos e meninas devem tomar a vacina aos 15 meses, três após o indicado anteriormente. As adolescentes sofrerão menos com picadas. O novo esquema de proteção contra o HPV passa a ser oferecido em apenas duas doses, e não mais em três. Todas as garotas de 9 a 13 anos têm que tomar a vacina.

De acordo com o Ministério, nenhuma vacina foi retirada ou teve calendário alterado por economia ou por falta no estoque. O órgão alega que adaptações são comuns e são todas feitas a partir de experiências internacionais, todas comprovadas com estudos clínicos.

Caroline com o filho%2C Pedro%2C e o marido%2C Rômulo%3A sem informaçõesSeverino Silva / Agência O Dia

Nas unidades de saúde municipais, familiares temem a falta de imunizantes. “Pela proteção da criança, a gente supera até a dor da agulhada. Só não quero que falte por disponibilizar por mais tempo algumas dessas vacinas”, comentou a aposentada Eva Maria da Silva, de 73 anos, que segue à risca o papel de avó e teme pelo futuro da pequena neta Yasmin, de 2 anos.

O secretário do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Aurélio Palazzi Sáfadi, garantiu que não há motivos para receio. “Tudo foi feito após o acúmulo de evidências científicas. Cada mudança se adequa à nova realidade”, explicou Marco, lembrando que a substituição do Zé Gotinha pode não agradar às crianças, mas as protege mais. 

Petrópolis cobra doses a ministério

Enquanto o governo federal cria um novo calendário de vacinação, a Prefeitura de Petrópolis sofre com a falta de remédios importantes. Ontem, a Secretaria de Saúde do município informou que oficiou o Ministério da Saúde sobre a crise no abastecimento dos insumos contra Hepatite A, Tetraviral e DTP. Há carência também de Soro Antiaracnídeo e Antiescorpiônico, dois recursos fundamentais para salvar a vida de quem é picado por aracnídeos peçonhentos.

A prefeitura ainda alega que recebeu apenas 10% de dupla adulto (dT) e antirrábica, do total que a rede municipal precisa mensalmente. Ainda segundo o órgão fluminense, não há previsão de quando o governo federal vai começar a distribuir o material.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que há indisponibilidade de alguns desses produtos até no mercado internacional e que orienta gestores a agendar a aplicação, para evitar desperdício. De acordo com o ministério, há vacinas que duram apenas seis horas após abertas e podem ser utilizada em até 25 pessoas.


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