Polícia investiga se rixa entre tráfico e milícia motivou chacina na Z. Oeste

Segundo agentes da DH, o bar onde ocorreu a matança seria usado como ponto de encontro por milicianos

Por O Dia

Rio - Uma retaliação de traficantes da Cidade de Deus, na Zona Oeste, pode ter sido o motivo do ataque a um grupo de moradores que estavam num bar no Conjunto Habitacional Cesar Maia, em Vargem Pequena. O crime deixou quatro mortos e 11 feridos na noite de quinta. Três pessoas da comunidade foram presas por porte ilegal de armas. A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o crime.

Uma das principais linhas de investigação é que criminosos da Cidade de Deus queriam se vingar de um tiroteio que aconteceu no dia 23 de dezembro. Naquele dia, segundo a polícia, milicianos do Conjunto Cesar Maia entraram na Cidade de Deus atirando e mataram uma criança de 11 anos e Breno de Souza Gomes, de 17 anos, que seria o principal alvo do grupo.

Parentes na porta do IML%3A mortos eram inocentes e não tinham envolvimento com crime organizadoEstefan Radovicz / Agência O Dia

De acordo com as investigações, no fim da noite de quinta, um grupo de seis a dez homens chegou em pelo menos três carros a Vargem Pequena para um cruel roteiro de vingança.
Eles desceram dos veículos e seguiram a pé até a Rua J. Alguns estavam encapuzados. Em frente ao Bar do Mineiro, eles abriram fogo. Teriam usado pistolas e fuzis. Entre os quatro mortos estava ao próprio dono do bar, Eny dos Santos Barbosa, o Mineiro, de 39 anos. Na fuga, o grupo roubou um carro que já foi localizado pela polícia e periciado.

Ainda foram mortos o pedreiro José de Almeida, de 42, amigo de Mineiro, pai de nove filhos; Joelson Delgado Salgado, de 18, e um homem que ainda não foi identificado.
Há informações que ainda estão sendo apuradas pela polícia de que o bar seria um local frequentado por milicianos, embora familiares do dono do local neguem.

A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar as mortes. Testemunhas estão prestando depoimento. Imagens de câmeras de segurança também estão sendo analisadas pelos investigadores. De acordo com o delegado da Especializada, Fábio Cardoso, “diante da recenticidade das circunstâncias destes homicídios e provável motivação, a DH, para proteger a investigação, não está divulgando informações sobre os crimes”, disse através de nota. Os presos nesta sexta no Cesar Maia foram identificados como Marcos Vinicius Olímpio, 31, Marcio Cristiano da Silva, 21 e Cassio Valério de Lima Marques, 28. 

Clima de dor, revolta e medo entre familiares das vítimas

Em frente ao Instituto Médico-Legal (IML) do Centro do Rio, familiares dos moradores mortos na chacina do Conjunto Cesar Maia demonstravam medo ao falar sobre o caso, mas garantiram que eles era trabalhadores e que não tinham envolvimento com o tráfico.

Eny dos Santos Barbosa%2C de 39 anos%2C era o dono do bar onde aconteceu a chacina na noite de quinta-feira%2C em Vargem Pequena. Ele e mais três pessoas morreramReprodução Facebook

Irmão de Eny dos Santos, Divino Floriano Barbosa, 48, disse que ele morreu na comunidade, da qual foi um dos fundadores. “Foi um dos primeiros comerciantes do local, era bastante trabalhador e querido por todos. Não entendo por que essa covardia. Se fizessem algo de errado, iríamos abaixar a cabeça e aceitar, mas não é o caso”, repetia Divino. Ele contou que o futebol seguido de churrasco no bar do Mineiro era uma tradição do grupo de amigos. “Só faziam isso, além de trabalhar”, disse.

Abalada, a mulher do pedreiro José de Almeida afirmou que seus cinco filhos ainda não sabiam da morte do pai. “O que vou dizer a meus filhos, meu Deus?”, indagou Graça Almeida. José e Eny serão enterrados em suas cidades de origem: Eny será levado para Piranga (MG), e José, para Teixeira (PB).


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