Quaquá diz que Pedro Paulo errou, mas garante apoio do PT à candidatura

Secretário de governo da prefeitura tratou episódios de agressão como fatos corriqueiros

Por O Dia

Rio - O presidente estadual do PT Washington Quaquá garantiu que o partido irá apoiar o secretário de governo da prefeitura do Rio, Pedro Paulo Carvalho, na disputa pela prefeitura em 2016. Em entrevista ao programa Jogo do Poder, que vai ao ar neste domingo às 23h15 na Rede CNT, ele minimizou os episódios de agressão do peemedebista à ex-mulher, revelados em 2015. "Pedro Paulo cometeu um erro na vida? Cometeu. Agrediu a mulher, e já reconheceu o erro. A mulher veio a público, com outro marido, em outro casamento, e disse que foi um momento infeliz. Isso não justifica a agressão, mas não há pena de morte no Brasil, nem do ponto de vista penal, nem do ponto de vista político", disparou Quaquá, que também é prefeito de Maricá. 

O petista Quaquá reafirmou o apoio ao peemedebista Pedro Paulo e lembrou que o secretário é o braço direito do prefeito Eduardo PaesPaulo Araújo / Agência O Dia

Entre outubro e novembro, vieram à tona agressões cometidas em 2008 e 2010 por Pedro Paulo contra a turismóloga Alexandra Marcondes, com quem era casado. No dia 12 de novembro, ambos deram entrevista coletiva em que trataram os episódios como fatos corriqueiros da vida a dois. “Quem que não tem uma briga dentro de casa? Quem que não tem um descontrole? Quem não exagera numa discussão? Nós vivemos momentos de amor e ódio”, dissera Pedro Paulo. “Ele nunca foi um cara violento”, endossara Alexandra. 

O prefeito Eduardo Paes, em todos os momentos da crise política gerada pela revelação das agressões, sempre se manteve firme na defesa do seu predileto para disputar as eleições deste ano. O PT, que ocupa a vice-prefeitura da cidade com Adilson Pires, deve fechar apoio ao peemedebista, afirma Quaquá. "Eu, pessoalmente, reafirmo o apoio ao Pedro Paulo. Ele é o braço direito do Paes, que está mudando a cara do Rio de Janeiro", disse.

Quaquá falou sobre a gratidão que o PT tem para com o PMDB: colocou na conta da atuação do líder do partido na Câmara dos Deputados, Leonardo Picciani, e de seu pai, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Jorge Picciani, a salvação política do mandato da presidenta Dilma Rousseff. "Se não fossem eles, provavelmente a Dilma teria sofrido um impeachment feito pela direita brasileira, por aqueles que querem a regressão social e não querem a melhoria da vida do povo". 

Ele ainda fez elogios a Eduardo Paes e a Pedro Paulo, lembrando que ambos fizeram campanha pela reeleição de Dilma, e destacou que a aliança entre PT e PMDB no Rio é fundamental para manter o "projeto nacional" de seu partido. Quando perguntado sobre as possíveis reações de mulheres de seu partido ao apoio declarado a Pedro Paulo, Quaquá disse que defende uma "pena alternativa" ao peemedebista, que, segundo o petista, é alvo "dos mesmos que querem a morte política minha e do Lula".  

"A pena alternativa é reforçar as políticas públicas que combatam a violência contra mulher. A mulher do Pedro Paulo é de classe média - não é justificável a agressão a nenhuma mulher - mas tem advogado, psicólogo, tinha uma casa para se abrigar. As mulheres pobres do Rio que são agredidas não têm advogado, não têm psicólogo. Se fizer uma boa política pública, ele não estar só pedindo desculpas, vai estar salvando mulheres que são agredidas diariamente", afirmou.

Pela possibilidade de apoio do PT ao PMDB nas eleições de outubro, já há quem fale de uma reedição do movimento 'Petistas com Freixo', que, em 2012, apoiou informalmente a candidatura a prefeito do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) à prefeitura do Rio. Desta vez, a dissidência seria capitaneada pelo senador Lindbergh Farias, que está cada vez mais distante do partido.

"Se, em convenção, o partido decidir pelo Freixo, eu apoio o Freixo. Se decidir pelo Pedro Paulo, será o Pedro Paulo. Quem não fizer a determinação... O estatuto está aí para isso". Caminho aberto para expulsões? "O estatuto existe para ser cumprido. O PT não é um clube, em que um vai para praia, e outro para piscina. É um partido político", resumiu. 

Últimas de Rio De Janeiro