Vítima quer conhecer homem que devolveu R$ 1 mil que havia roubado

'Gostaria de saber quem ele era. Queria dizer a esse menino que eu poderia ajudá-lo', diz o advogado

Por O Dia

Rio - Ele estava no metrô da Siqueira Campos, em Copacabana, por volta das 21h do dia 31 de dezembro, quando sentiu uma mão ‘estatelada’ em seu bolso esquerdo da bermuda. Tinha sido roubado. Foi assim que começou a virada de ano do advogado Eduardo Goldenberg. Um dia depois sua carteira foi encontrada com quase tudo, menos a quantia de R$ 1.017, que continha. O que tinha tudo para ser início de ano conturbado, teve desfecho feliz.

Dois dias depois, ao retornar para o escritório, o advogado se deparou com um envelope. Dentro, uma quantia de dinheiro com um bilhete. “Estou devolvendo o que peguei dia 31, em Copacabana. Não dormi, fiquei arrependido”, dizia o pedaço de papel, assinado pelo nome de ‘Fábio’.

No lugar da raiva contra quem o roubou, Eduardo teve curiosidade. “Gostaria de saber quem ele era”, disse o advogado. “Tiro dessa história o que eu acredito: jovem precisa de escola, não de repressão”, afirmou. “Queria dizer a esse menino que eu poderia ajudá-lo. Eu iria gostar de saber sua história, poderia fazer algo por ele”, acredita Eduardo.

Advogado Eduardo Goldenberg está comovido com a carta de desculpas do ladrão que lhe roubou na noite de Ano Novo%3A “Queria conhecê-lo ”João Laet / Agência O Dia

Assim que percebeu que fora roubado, Eduardo ficou estressado e a festa de fim de ano quase foi por água abaixo. Há décadas, o advogado passa o Réveillon em Copacabana, mas jamais havia sofrido nenhuma violência. “Sempre levava pouco dinheiro, identidade e a chave de casa”, disse. “Mas dessa vez levei minha carteira. Tudo meu estava lá”.

Depois de ter sido roubado, as opções eram curtir ou se estressar. “Eu sabia que poderia pedir segunda via dos meus documentos. Na hora pedi o cancelamento dos cartões”, afirmou. “A quantia de dinheiro era grande, sim. Inclusive foi o motivo de ter me estressado um pouco”, concluiu. “Mas vida que segue, pensei na hora”, finalizou.

Já conformado com o aborrecimento que teve com o roubo dos documentos, Eduardo estava almoçando com os amigos quanto veio a primeira surpresa. Em uma mensagem pelo Facebook, um rapaz avisava que havia achado sua carteira. “Foi um cara, não quero revelar a identidade. Ele me contou que tinha achado a carteira na mesma rua em que eu tinha sido furtado”, relatou.

Eduardo não trabalhou na segunda feira. Na terça, outra boa notícia. “Ao chegar no escritório, vi um envelope fechado”, contou. “Abri e tinha uma quantia de dinheiro com um bilhete”, continuou. Enfim, o advogado tinha recuperado não só sua carteira com todos seus documentos, mas também o dinheiro. “No bilhete, o menino que pegou que se chamava Fábio, disse ter ficado com R$ 50 para dar champagne para a mãe”, concluiu. No fim das contas, 2016 começou muito bem para Eduardo.

Relato em Facebook comoveu

O relato de Eduardo Goldenberg no Facebook teve mais de 16.000 compartilhamentos. Nos comentários, comoção. Alguns compartilhavam, querendo mostrar ao mundo que ‘nem tudo está perdido’.

Ao publicar nas redes sociais, o advogado começa o texto com o seguinte trecho: “Estou desde terça-feira, 05/01/2016, ainda impactado, decidindo com meus botões se conto ou se não conto a história que vivi entre a noite do dia 31, em Copacabana, e o começo da tarde do dia 05 de janeiro”, escreve.

Eduardo descreveu sua saga durante todo o texto e, no fim, terminou de um jeito significativo e cheio de fé: “Quem me protege não dorme”. Nos comentários, há várias pessoas dizendo que ‘o seu santo não está de bobeira’, referindo-se a fé do advogado.

Ele diz ter sabido de casos em que pessoas perderam a carteira e depois recuperaram. “Mas como essa, nunca. Eu fui protagonista de uma história que para muitos seria surreal”, completou o advogado.


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