Mães não encontram vacina para bebês de até 1 ano

Além da pneumocócica, falta antitetânica para adultos. Estoque em clínicas particulares está irregular

Por O Dia

Rio - Mães estão com dificuldades para imunizar seus bebês de até 1 ano contra doenças perigosas. A vacina pneumocócica, que evita pneumonia, meningite e sepse, está em falta em postos como César Pernetta, no Méier, onde as doses não estão disponíveis desde sexta-feira. Para os adultos, a oferta da vacina DT, que protege contra difteria e tétano e deve ser tomada a partir dos 7 anos, também começa a decair. Na Tijuca, dois dos três postos visitados pela reportagem —na Praça da Bandeira e na Rua Desembargador Isidro — não possuíam doses da DT. Como O DIA publicou ontem, falta também vacina antirrábica na rede pública.

Uma funcionária do Posto César Pernetta, no Méier, explicou que está anotando os contatos dos pais para avisar assim que a vacina pneumocócica chegar. Não há, no entanto, previsão de reposição, que não ocorre desde dezembro. “Vou tentar ver onde não acabou, pois, por contade febre, a vacinação da minha neta já está atrasada e não se pode bobear com os pequenos que ficam em creche”, disse a dona de casa Regina Celia Lima, de 63 anos, avó de Natália, de 9 meses.

Já a professora Ana Silva, de 48 anos, foi à toa ao Posto Heitor Beltrão, próximo à Praça Saens Pena, na Tijuca, em busca da antitetânica. “Avisaram que antitetânica só em caso de acidente. Vou ter que aguardar”, contou.

Em posto da Tijuca%2C vacina antitetânica só em caso de acidente%2C segundo professora que procurou. Solução tem sido recorrer a outros bairrosAmanda Raiter / Agência O Dia

Enquanto o SUS enfrenta problemas, a rede particular de todo o Brasil está orientando pacientes a procurar a rede pública por conta da escassez das vacinas pentavalente — que protege contra difteria, tétano, coqueluche, meningite e hepatite B —e a hexavalente —que protege contra todas estas doenças e mais a poliomielite.

Com a falta da vacina DT, muitas pessoas vão buscar solução em outros postos públicos, como o que funciona no alto do Morro da Formiga, onde funcionários estimam que aumentou a procura até de pessoas do Grande Rio. “Desde dezembro, começou a surgir gente de fora, como São Gonçalo e Niterói, para vacinar contra o tétano. Estamos com doses em estoque, mas enviaram pouco”, contou a técnica de enfermagem Celinalva Nascimento.

No Centro, servidoras do posto Oswaldo Cruz, na Rua Henrique Valadares, já foram procuradas por moradores da Baixada por conta da DT. Já a BCG, que também sofreu crise de abastecimento em alguns postos em março passado, conta com dia certo para a imunização em unidades públicas, como as do Engenho de Dentro e Praça da Bandeira, na Zona Norte.

Em nota, a prefeitura classificou as faltas das vacinas DT e pneumocócica como “pontuais” e informou que opera com sistema de remanejamento de doses em toda a rede, de forma que os casos sejam prontamente resolvidos. 

Imunização na rede privada deve ser reforçada na pública

O problema nas clínicas pagas teria começado em outubro de 2015 e só deve ser normalizado após o fim do primeiro trimestre. Crianças cujos pais recorreram às clínicas particulares nas vacinações hexa e pentavalente devem atualizar a imunização na rede pública o quanto antes. É o que recomenda a presidente regional da Sociedade Brasileira de Imunização, Flavia Bravo.

A médica orienta que nas duas primeiras doses não se deve atrasar o calendário. “A imunidade ainda está bem delicada. Para ingressar em ambiente escolar, como creches, então, é muito importante estar com as vacinas em dia”, alertou. Flávia acrescenta que o reforço aumenta a eficiência da vacina, protegendo melhor das doenças.

Para quem se preocupa quanto à diferença para a versão gratuita, aplicada em postos de saúde, ela garante que não compromete a eficiência. “A vacina das clínicas privadas torna-se mais atraente por apresentar menos efeitos colaterais”, detalhou.

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