Delegado revela contradições em depoimentos sobre morte de modelo

Segundo Mário José Lambert, marido de Raquel dos Santos e cirurgião que a atendeu contaram versões diferentes

Por O Dia

Rio - Titular da 79ª DP (Niterói) e delegado responsável pela investigação da morte de Raquel dos Santos, Mário José Lamblet dos Santos explicou, nesta quinta-feira, que houve divergência nos depoimentos do marido da modelo, o empresário Gilberto de Azevedo, e do médico Wagner Moraes, que realizou o procedimento estético na finalista do concurso ‘Musa do Brasil’ e ‘Gata da Hora’, do MEIA HORA.

"O Gilberto disse que ela já chegou desacordada ao hospital, com a boca roxa, passando muito mal e sem consciência. Já o médico disse que ela chegou reclamando de falta de ar, ou seja, com vida e faleceu depois de ser atendida pela equipe médica", explicou o delegado, afirmando que este conflito nos depoimentos será apurado. Gilberto será ouvido novamente na delegacia na manhã desta sexta-feira. A equipe médica do Hospital Icaraí, para onde Raquel foi levada, prestará novo depoimento na parte da tarde.

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Cirurgião Wagner Moraes prestou depoimento na 79ª DP (Niterói) sobre morte da modeloSeverino Silva / Agência O Dia

De acordo com Mário José Lamblet dos Santos, o médico Wagner Moraes já entregou à polícia os documentos de internação da modelo e levou a substância que foi aplicada nela na noite da última segunda-feira. A substância será analisada.

O delegado explicou que no documento apresentado pelo médico, que foi preenchido no momento da realização do procedimento, Raquel relata que não tinha feito cirurgia e nem tomado algum tipo de substância. "O que também é uma divergência porque a gente não sabe como é que o médico sabia que ela tomava anabolizantes, que foi o que ele colocou no atestado de óbito", afirmou. Segundo ele, no depoimento, o médico afirmou que Raquel o procurou, no dia 30 de dezembro, para fazer um procedimento de aumento das nádegas, o que ele teria dito que não faria. "Ela, então, fez aplicação para eliminação do bigode chinês (linhas de expressão do nariz ao canto da boca), no dia 11", contou.

Em nota, a Fundação Municipal de Saúde de Niterói esclareceu que o médico não é funcionário da rede e a declaração de óbito (DO) foi fornecida pelo Hospital Municipal Carlos Tortelly, no dia 11 de janeiro, de acordo com a Portaria 116 do Ministério da Saúde, de 11 de fevereiro de 2009.

Segundo a advogada do médico, Verônica Lagassi, ele foi para delegacia apenas para prestar esclarecimento e não há acusação nenhuma. "Ele não está sendo acusado de nada, veio só para prestar esclarecimentos. Não tem sequer uma linha de defesa", disse. O cirurgião reforçou na saída do depoimento que a modelo omitiu informações quando esteve na clínica. "Eu estou preocupado pela família, mas minha consciência está tranquila. Ela omitiu informações de que fumava, o que indica hábitos nocivos. Ela foi submetida a um procedimento subcutâneo, o que não é considerado cirurgia", falou.

De acordo com a advogada, o médico não sabia que ela usava anabolizantes, o que foi informado pelo marido apenas no hospital. Segundo ela, Wagner contou em depoimento que a modelo passou mal em casa, o marido ligou para ele, que acompanhou o casal de carro até o hospital e, a partir de então, ficou com eles o tempo inteiro.

O delegado ressaltou que a autópsia realizada ainda não pode afirmar se foi o uso de anabolizantes que causou a morte de Raquel.

Raquel Santos morreu na noite de segunda após procedimento estéticoReprodução

Reportagem de Maria Clara Vieira

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