Musa de Niterói era uma ‘bomba relógio’, diz médico

Cremerj abre sindicância para apurar conduta de cirurgião

Por O Dia

Rio -‘Uma bomba relógio caiu no meu colo. Ela aplicava diariamente um produto de cavalos para aumentar a força do músculo da coxa”. A afirmação é do médico Wagner Moraes, que atendeu em seu consultório a modelo Raquel dos Santos, de 28 anos, pouco antes de morrer após procedimento estético em Niterói, na noite de segunda-feira. Finalista do concurso ‘Musa do Brasil’ e ‘Gata da Hora’, do MEIA HORA, Raquel foi sepultada ontem à tarde no Cemitério Parque da Paz, em São Gonçalo. Ela deixou dois filhos: de 8 e de 12 anos.

Resultados dos primeiros exames feitos no corpo da modelo não teriam indicado relação entre o uso de anabolizantes ou de cigarro com a parada cardíaca que ela sofreu após a aplicação de ácido hialurônico. O resultado final do laudo cadavérico só deve ficar pronto em 30 dias.

Raquel foi enterrada ontem à tarde no Cemitério Parque da Paz%2C em São Gonçalo. Ela deixou dois filhos Pedro Conforte / Jornal A Tribuna

O Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj) abriu sindicância em nome do médico Wagner Moraes para apurar as circunstâncias da morte da modelo. “O médico citado não tem título de especialista registrado no Cremerj – não é obrigatório que os médicos inscritos no Conselho informem a sua especialidade. Os médicos devem ter o bom senso de realizar apenas os procedimentos dos quais tenham conhecimento e capacidade profissional”, diz a nota.

Já a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica informou que repudia “a atuação de médicos não especialistas em cirurgia plástica, que, por falta de formação específica, colocam em risco a segurança e a vida de seus pacientes”. Wagner não tinha registro na entidade.

Raquel foi levada pelo marido, o empresário Gilberto de Azevedo, e pelo médico, para o Hospital Icaraí, onde já chegou morta. Gilberto criticou a falta de estrutura da clínica de Wagner Moraes para atender uma emergência. O hospital diz que todas as informações da declaração de óbito são de responsabilidade de Wagner Moraes. O documento indica a causa da morte desconhecida, intoxicação e aplicação própria de anabolizante animal. Segundo a polícia, Wagner e funcionários da clínica já estão sendo ouvidos.

Wagner diz que já atendeu mais de duas mil mulheres

“No dia do procedimento ambulatorial estético, Raquel negou que tenha aplicado qualquer coisa no corpo. O marido e a mãe sabiam do risco. Em dois anos, fiz esse procedimento em mais de duas mil mulheres e nunca houve problema. Só embelezamento”, afirmou o cirurgião, referindo-se à intervenção conhecida como ‘bigode chinês’ (linhas de expressão do nariz ao canto da boca), feita na Clínica de Cirurgia Plástica Wagner de Moraes.

Ele informou ainda que durante a intervenção fez a aplicação de 1 ml de ácido hialurônico, produto usado para amenizar marcas no rosto. “Provavelmente o alto consumo de cigarro e o uso de anabolizante tenham causado a parada cardiorrespiratória”, contou. Raquel começou a sentir dificuldade para respirar logo após o procedimento, ainda na clínica.

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