Cão adotado por PMs e baleado na Cidade de Deus deve ter alta em 10 dias

Policiais de UPP investigam se 'Maré Zero', que acompanhava operações na comunidade, foi atingido intencionalmente por traficantes ou se foi vítima de bala perdida

Por O Dia

Rio -  Adotado por PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Cidade de Deus, um vira-latas que participa de revistas a suspeitos e em incursões na comunidade foi atingido a tiros no pescoço na noite de quarta-feira, durante confronto entre PMs e bandidos. Batizado de ‘Maré Zero’, o animal foi socorrido e levado para uma clínica veterinária de Curicica, onde permanece internado, lutando para sobreviver.

Tratamento do cão%2C que levou um tiro no peito%2C é rateado entre policiais Divulgação

Maré Zero foi ferido em confronto entre PMs e bandidos na localidade do Caratê. Ainda não se sabe se ele foi vítima de bala perdida ou se os bandidos tentaram, por vingança, matar o cachorro que ousou se tornar um aspirante a cão policial.

Segundo o veterinário Leonardo Villar, o cão chegou à clínica veterinária Bandeirantes em uma viatura da polícia, por volta das 20h, sangrando bastante e estava muito debilitado. “Ele chegou sentado no banco, com muita dor e não conseguia colocar a patinha direita no chão. A bala veio de cima para baixo e entrou pelo pescoço, acertando a escápula, ou seja, o osso do cão. O projétil se alojou, mas conseguimos retirá-lo. O estado do animal é estável”, afirmou.

Ainda de acordo com o veterinário, se Maré Zero não fosse socorrido de forma imediata, poderia ter morrido de hemorragia. “Deve ter alta em dez dias e vai voltar a andar normalmente.Em um ano, é o segundo caso de cão baleado na Cidade de Deus. Tratamos de um ferido por tiro durante briga de bêbados”, contou o médico.

De acordo com policiais, Maré Zero, nome de guerra do animal, é um código usado pelos PMs em ação para entrar em contato por rádio ou celular com o Quartel General da corporação.

Cães do Batalhão de Operações com Cães (BAC) já foram alvo da ira de traficantes de Manguinhos. Em 2010, o labrador Boss ('chefe') estava sendo ameaçado por bandidos. “Mirem (as armas) no marronzinho!”, ordenavam os bandidos pelos radiotransmissores, fazendo menção à cor do animal.

Últimas de Rio De Janeiro