Cariocas ficam decepcionados com interdição do Jardim Zoológico

Embargo do Ibama foi devido a problemas como grades desgastadas e animais magros e feridos

Por O Dia

Rio - Ir com a família no Jardim Zoológico dar pipoca aos macacos só existe agora na música ‘Ouro de Tolo’, de Raul Seixas, e nas fotos de várias gerações que visitaram a principal atração da Quinta da Boa Vista em 70 anos. O mais antigo Zoológico do país, em São Cristóvão, com 2.100 animais, foi embargado ontem pelo Ibama por condições precárias no serviço. Cerca de 1,2 milhão de moradores e turistas visitavam o local por ano.

O embargo deixou a população decepcionada. Para a universitária Camila Melo, 24 anos, o parque é inesquecível. “Lembro de quando minha mãe me levava. Era o passeio que não podia faltar”, recorda. Patrícia Silva levou o filho, Vítor Hugo, mas não conseguiu entrar. “Eu não sabia. É uma pena, eu queria mostrar os bichos do Zoo para ele”, completou a mãe.

Ministério Público pede rapidez nas obras. Última reforma no Zoo foi feita em 1993Estefan Radovicz / Agência O Dia

Em 2015, a fundação foi autuada em R$ 1 milhão por não cumprir notificação para iniciar reforma. Outra intimação também foi emitida com um novo prazo para a realização das obras de reestrutura, expirado no fim de 2015.

Segundo o Ibama, o espaço estava sucateado, as grades que prendem os animais, desgastadas, a água, suja, e o espaço para tratamento veterinário, irregular. Os bichos também estavam magros e feridos. Na avaliação do Ibama, o local estava impróprio para visitas, já que perdeu seu caráter educacional, científico e de conservação.

O embargo não significa o fechamento definitivo do Zoo. A Fundação RioZoo deverá continuar realizando a gestão adequada dos animais até as irregularidades no local serem sanadas. Isso inclui manter os animais alimentados em recintos limpos e enriquecidos que favoreçam a manifestação natural do comportamento de cada espécie.

Camila (direita) lamenta o fechamento e relembra quando ia ao Zoo com a irmã e a mãeEstefan Radovicz / Agência O Dia

O procurador da República Sérgio Suiama disse que o Ministério Público entrou com ação civil pública contra a Prefeitura do Rio pedindo que esta faça rapidamente as obras exigidas. Segundo ele, a última reforma feita no Zoológico foi em 1993. “Após 22 anos, os equipamentos estão degradados. A prefeitura vem adiando o problema”, declarou. Suiama também deixou claro que as obras precisam ser realizadas independentemente se forem passar a administração do RioZoo para a iniciativa privada, como foi cogitado. “É preciso que a prefeitura informe quando vai começar as obras. Elas não podem esperar a conclusão do processo de privatização”, explicou.

O Ibama também aplicou multa diária de R$ 1 mil contra a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, à qual a Fundação RioZoo está subordinada, até que se adeque às condições.

OAB também entra no caso

O presidente da Comissão de Direito dos Animais da OAB, Reynaldo Velloso, informou que ontem foi feita uma reunião com o Ibama para garantir que os animais que ainda estão no Zoológico continuem tendo os cuidados devidos.

“O local está fechado, mas isso não quer dizer que dentro não esteja funcionando”, declarou. “Os veterinários, biólogos e outros funcionários vão continuar trabalhando normalmente”, finalizou.
“Um felino tem 200 km² a 300 km² de liberdade na Savana. No zoológico eles só têm 50 m²”, declarou.

Segundo ele, a única coisa que se aprende lá dentro é como sofrer.

De olho na inicitiva privada

Em nota, a prefeitura informou que suspendeu a licitação das obras de readequação do Jardim Zoológico (Rio Zoo) tendo em vista que será publicado na próxima semana o edital para licitação da concessão ao setor privado para gestão e operação do Rio Zoo.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente já entrou com recurso a fim de suspender o embargo de visitação pública estabelecido pelo Ibama. A prefeitura também explicou o projeto para passar a responsabilidade do Jardim Zoológico para uma iniciativa privada.

Reportagem da estagiária Carolina Moura

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