Por paulo.gomes

Rio - "A Polícia Civil vai ter que explicar como entrei na delegacia inteiro e saí todo arrebentado". O desabafo e a indignação é do advogado Samuel da Silva, de 28 anos, que alega ter sido vítima de tortura e racismo dentro da 5ªDP (Centro), no dia 10. O delegado da unidade, Marcos Oliveira, negou as agressões. Samuel acusa um policial civil de tortura com a anuência do delegado substituto Antônio Bonfim; agentes da Operação Lapa Presente de agressão e um PM do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas (BPTur) de abuso de autoridade.

O deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Marcelo Freixo, afirmou que o rapaz já foi procurado e atendido. "É uma denúncia grave que envolve os crimes de tortura e racismo. Vamos cobrar explicações à polícia. O que menos importa é sua profissão, ou seja, se é advogado ou não", lembrou.

A Defensoria Pública do Rio informou que está à disposição "para atender a vítima, caso seja de interesse dela procurar a instituição". A Polícia Civil informou que a Corregedoria do órgão acompanha o caso.

Segundo a denúncia%2C agentes da Lapa Presente obrigaram o advogado a ir para a delegacia em uma vanAlexandre Brum / Agência O Dia

O advogado disse que procurava seu amigo na Avenida República do Paraguai, próximo aos Arcos da Lapa, e o PM do BPTur o abordou com truculência. Ele conta que agentes da Lapa Presente chegaram ao local e o obrigaram a entrar numa van, em que foi levado para a delegacia.

"Na unidade, eles alegaram que eu estava urinando na rua. Neguei esta versão. O delegado de plantão disse: ‘pode levar ele pra cela e cuidar bem dele’. Falou com ironia. O inspetor me deu um soco na nuca e caí no chão. Fui chutado diversas vezes e tentei me proteger em vão”, comentou o rapaz, que já fez exame de corpo de delito. “O resultado está no inquérito e vou até o fim", garantiu.

"Este rapaz estava muito alterado na delegacia e em nenhum momento houve qualquer tipo de agressão. O delegado que ele acusa de ter permitido a violência tem 40 anos de profissão e nunca permitiu isso", afirmou o delegado Marcos Oliveira.

Segundo ele, em depoimento, agentes da Operação Lapa Presente contaram que o advogado teria ofendido os militares. "Além de ofender os policiais do BPTur, se negou a fornecer dados dele para os PMs", contou. Samuel deve responder pelos crimes de desacato, resistência e importunação ofensiva ao pudor.

Versões diferentes para o caso

De acordo com a coordenação da Operação Lapa Presente, os agentes foram acionados por policiais do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas para dar apoio na condução de Samuel. Segundo a OLP, ele teria sido flagrado cometendo "ato obsceno" na Lapa, o que ele nega. O jovem teria resistido à prisão e "acabou se machucando após uma queda enquanto estava sendo conduzido à delegacia."

Já a PM informou o contrário, que os policiais do BPTur deram apoio à Lapa Presente para prender o advogado. Os policiais relataram que foram ofendidos pelo jovem. O comandante do BPTur informou que os PMs envolvidos na ocorrência foram chamados para prestar esclarecimentos.

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