Por adriano.araujo
Imóvel desabou nesta quinta-feiraEstefan Radovicz / Agência O Dia

Rio - O desabamento que matou Lídia de Lima, de 81 anos e Alessa Caroline Ferreira Fernandes, de 17 anos, em Irajá, na Zona Norte, foi "anunciado" há um ano pela Defesa Civil. Segundo vizinhos das vítimas, o órgão teria feito uma vistoria no local no ano passado, e alertado a família quanto ao risco da construção.

"A mãe, Rose, não deu ouvidos. Não aceitava sugestões de ninguém e não quis mexer na casa", contou uma vizinha, se referindo à chefe de família, Rosemary Fernandes, de 41 anos, que perdeu a mãe e a filha no acidente.

No entanto, através de nota oficial, a Defesa Civil negou a informação de ter realizado uma vistoria no imóvel que desabou.

Na manhã desta sexta-feira, peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli e agentes da Defesa Civil estiveram os escombros do sobrado, que abrigava cinco pessoas. Rose e seus outros dois filhos, Ronei e Alessandro, de 23 e 17 anos, sofreram ferimentos leves. O caso sera acompanhado também pela 27ª DP (Irajá).

"Sai 10 minutos antes para ir à igreja, e na saída encontrei meu neto, que veio correndo gritando 'vovó, sua casa esta toda quebrada'. Foi um desespero", contou a vizinha Janete de Souza, de 78 anos, que mora na casa em frente ao sobrado destruído.

A dona de casa Gleucy Dias, de 62 anos, disse ter se assustado com o som do deslizamento. "Moro na rua ao lado e ouvi um barulho parecido com o de uma explosão. Subiu muita poeira", disse a moradora, afirmando não ter saído de casa por medo.

Lídia de LimaEstefan Radovicz / Agência O Dia

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GALERIA: Escombros em Irajá

Alessa Caroline Ferreira FernandesReprodução / Facebook

Segundo Georgia Fraga, prima de Rose, a menina que morreu era muito apegada à mãe. "Minha prima tinha três filhos, e era apaixonada pela Alessa, a única menina. Essas chuvas trazem muita desgraça para a cidade. So se safa quem tem dinheiro", lamentou.

Procurada, a Defesa Civil Municipal ainda não informou sobre a vistoria que teria sido feita anteriormente. De acordo com órgão, equipe de técnicos que foram até o local para vistoriar outros imóveis do entorno interditou duas edificações de um pavimento cada que ficavam nos fundos e na frente da área que desabou. Também foi interditada de forma preventiva um imóvel no número 706 da Rua Guiraréia. Um laudo técnico foi encaminhado para os órgãos competentes.

O acidente assustou moradores do bairro, que ouviram o grande ruído no momento do desabamento. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil foram acionados por volta das 19h para o resgate das vítimas.

Reportagem de Maria Clara Vieira

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