Por paulo.gomes

Rio - Em três anos, foram 1.014 casos de ofensas, atos violentos e de preconceito motivados por intolerância religiosa no estado, 71,15% deles contra devotos e praticantes de crenças afrodescendentes. Os dados, referentes ao período de julho de 2012 a agosto do ano passado, foram apresentados pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR).

Para Ivanir Santos, coordenador do relatório da comissão da assembleia Legislativa do Rio (Alerj), a apresentação do documento é importante para marcar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado ontem. Ele ressalta que a ampliação das ações educacionais de respeito à diversidade religiosa vai fazer com que o preconceito seja combatido de forma que todos sejam respeitados, independente da crença. “Comemoramos todo ano. Esse ano trabalhamos em cima desse relatório com dados”, disse.

O Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (CPLIR), faz atendimento às vítimas através de registro de denúncias. De setembro a dezembro de 2015, foram feitos 66 registros de agressões, 30% desse total foi contra candomblecistas.

“Há uma pregação de que nossa manifestação é do mal”, disse Rafael Soares de Oliveira, diretor executivo do grupo umbandista Koinonia. “O preconceito começa porque essas religiões têm matrizes africanas”, acrescentou ele.

O tema já foi caso de polêmica em junho do ano passado, quando a menina Kailane Campos, de 11 anos, foi atingida por uma pedrada na cabeça quando voltava do culto com a sua avó e suas vestes eram candomblecistas.

Em 2014, um menino foi barrado em uma escola municipal do Rio por usar guias do candomblé. O jovem tinha 12 anos e foi impedido pela diretora da instituição de entrar com bermuda branca e guias no pescoço.

Reportagem da estagiária Carolina Moura

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