Por gabriela.mattos
Nélcemir Lagôas foi assassinado na noite desta quarta-feiraDivulgação

Rio - A recusa em dar R$ 20 a um ex-cabo eleitoral teria sido o motivo da morte do vereador Nélcemir Lagôas (PP), de 67 anos, assassinado com quatro tiros na frente da mulher, na noite de quarta-feira, em Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana.

Na madrugada desta quinta-feira, agentes da 159ª DP (Cachoeira de Macacu) prenderam em flagrante Fábio Vieira de Sousa, o Simuleco, de 29 anos, acusado de executar o político, sob efeito de drogas —ele seria usuário de cocaína, segundo a polícia.

É o segundo vereador morto no estado já nos primeiros dias do ano — na semana passada, Geraldo Cardoso Gerpe (PSB), de Magé, foi assassinado no estacionamento da Câmara dos Vereadores. Em 20 anos, já são 45 políticos executados no estado.

De acordo com a polícia, o suspeito de matar Nélcemir foi colaborador de sua campanha em 2012. O ex-cabo eleitoral foi localizado bebendo em um quiosque minutos após o crime. Segundo o delegado Antonio Furtado, da 159ª DP (Cachoeiras de Macacu), o vereador, que era primeiro-secretário da Mesa Diretora da Câmara, se recusara a dar R$ 20 para Fábio. O acusado negou a autoria do crime e também o fato de estar sob efeito de drogas.

Alvejado no Centro da cidade, quando estacionava o carro, Nélcemir chegou a ser socorrido e levado para o Hospital Municipal Dr. Celso Martins, onde morreu. “Testemunhas contaram que Fábio passou no hospital para conferir se o vereador havia morrido”, disse o responsável pela 159ª DP.

Fábio foi autuado em flagrante por homicídio duplamente qualificado — sem defesa de chance para vítima — e por gerar perigo público, já que o disparo poderia ter atingido outras pessoas não relacionadas com o fato.

Vereador argumentou: ‘Se quiser comer, pago para você’

Ainda segundo o delegado Furtado, titular da DP de Cachoeiras de Macacu, testemunhas e a esposa da vítima reconheceram a roupa que o suspeito estava usando no momento do crime. “Foram encontradas manchas de sangue na bermuda e já encaminhamos o material para perícia.

A polícia procura imagens de câmeras de segurança para análise. “O objetivo é descobrir a rota feita pelo criminoso para também encontrarmos a arma usada no caso, uma vez que Cachoeiras é uma cidade que tem muita mata e ele pode ter jogado a arma no rio”, disse o delegado.

O delegado contou em detalhes o depoimento da viúva do vereador. “Ela disse que poucos minutos antes do crime estava tomando uma sopa com o marido, próximo à rodoviária de Cachoeiras de Macacu, quando o acusado chegou pedindo R$ 20. O vereador disse: ‘Você vai usar para drogas. Se quiser comer eu pago para você’”, contou o delegado. Segundo ele, “isso revoltou o Fábio, que guardou a raiva e saiu”.

Logo em seguida, o rapaz ainda foi pedir R$ 15 para a filha do vereador, que estava com o namorado no carro e ela também negou. “Ao sair do local, Fábio desferiu dois socos no capô do carro e disse: 'Então é assim. Vocês vão ver'”, contou o delegado, quepediu a prisão preventiva de Fábio à Justiça.

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