Por adriano.araujo

Rio - Cerca de 30 pessoas estiveram na manhã desta segunda-feira no prédio do Rio Sem Homofobia, no Centro do Rio, protestando contra a falta de pagamento de mais de 200 pessoas ligadas a grupos de direitos humanos, como o próprio programa voltado ao público LGBT. Estes estão há mais de quatro meses sem receber salário, inclusive férias e o 13º. Enquanto a Secretaria de Fazenda diz que repassou o dinheiro para a Uerj, instituição a qual os profissionais são ligados, a universidade conta não ter recebido o dinheiro para pagá-los, segundo os manifestantes.

Taiana Gusmão, assistente social e assessoria do conselho estadual LGBT, que é gerido pelo programa Rio Sem Homofobia, lamenta o descaso com os profissionais. "São trabalhadores que lutam pelos direitos humanos, que agora têm os seus direitos violados. Há pessoas sendo despejadas de casa e famílias passando fome. O governo diz que está pagando as prioridades, mas se trabalhadores não estão recebendo, o que é prioridade", disse.

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O problema também atinge grupos ligados ao desenvolvimento humano, de políticas para as mulheres e intolerância religiosa. Psicóloga da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPMulher), Mirian Ancelmi, de 32 anos, ressaltou a importância do Centro Integrado de Atendimento à Mulher (CIAN), que também sofre com a falta de pagamentos e tem futuro incerto. "Se esses serviços começarem a faltar, muitas mulheres ficarão sem apoio. O CIAN é muito importante. O mesmo acontece com o público LGBT. O Rio Sem Homofobia oferece apoio psicológico, trabalhista e jurídico", enumerou. 

"O que nos incomoda mais é a falta de explicação. Já nem sabemos o que somos - se somos ou não empregados da secretaria", disse Silvana Brocanello, de 50 anos, que trabalha como auxiliar administrativa na SPMulher . 

Segundo os manifestantes, no programa Rio Sem Homofobia são cerca de 80 a 100 pessoas que estão sem receber e, como o contrato não foi renovado, eles entendem acreditam que estejam desempregados. Ainda de acordo com os funcionários, algumas famílias foram despejadas por conta da falta de salário, conforme já foi mostrado pelo DIA no blog LGBT.

?Reportagem de Maria Clara Vieira

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