Exame constata que sangue em fronha de Getúlio Vargas é de mulher

Segundo teste do Museu da República, objeto pode não ser verdadeiro. Peça iria a leilão no ano passado

Por O Dia

Rio - O mistério continua. A fronha com manchas de sangue, que teria sido usada pelo presidente Getúlio Vargas no dia de seu suicídio, em 24 de agosto de 1954, e que iria a leilão, conforme O DIA noticiou em junho do ano passado, pode não ser verdadeira. Exame de DNA feito num laboratório particular a pedido da presidente do Museu da República, Magaly Cabral, que cuida do acervo de Vargas, acusou sangue feminino na peça.

“Portanto, não é de Getúlio”, afirmou Magaly, por e-mail, sem detalhar qual parente de Getúlio teria cedido material para o exame. Getúlio teria usado um travesseiro para abafar o som do revólver Colt calibre 32, que usou para atirar em seu coração ao suicidar.

O que pode ser uma relíquia histórica cobiçada por qualquer colecionador foi tirada na última hora do quarto Leilão Comemorativo dos 100 Anos do Mercado de Artes Miguel Salles, em Petrópolis, por causa de dúvidas sobre sua autenticidade. O próprio Miguel Salles entregou a capa de travesseiro a Magaly para análise.

Exame de DNA em peça que teria sido usada por Getúlio Vargas indica que objeto pode ser falsoBanco de imagens

“A fronha está novamente sob minha guarda. Até meados do mês que vem vou providenciar um novo exame de DNA, com empresa diferente, para confrontar com o que já foi feito. Não se trata de nenhuma desconfiança, mas apenas para não ficar nenhuma dúvida no ar”, adiantou Miguel Salles, garantindo que a peça só irá a leilão se sua autenticidade for comprovada.

A fronha, que iria a leilão em 2015, com lance mínimo de R$ 5 mil, pertence à socialite Mariza Martinelli, que mora há 29 anos em Nova Iorque (EUA) e tem apartamento no Leblon. Ao anunciar a oferta para o leião em junho, Mariza garantiu que desde 1972 guarda a sete chaves a fronha, com as iniciais PsR, que seriam alusivas à Presidência da República. Ela diz ter recebido a fronha do amigo e ex-deputado Edmundo Barreto, que era amigo de Getúlio Vargas.

O presidente suicidou no seu quarto, no Palácio do Catete, Zona Sul do Rio, que na época era sede do governo federal. Getúlio sofria pressão da oposição, principalmente do jornalista Carlos Lacerda. No dia do suicídio, fez uma carta-testamento, que ficou famosa pela frase: “Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.” 

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