MP denuncia dez traficantes das favelas da Maré e Fumacê

Órgão também pediu a prisão dos denunciados, porém seis já estão na cadeia. Eles ainda comandam o tráfico de drogas

Por O Dia

Rio - O Ministério Público denunciou e pediu a prisão de dez traficantes de favelas do Complexo da Maré, na Zona Norte, e Fumacê, na Zona Oeste, no entanto, segundo a denúncia enviada para a Justiça, após investigação da 21ªDP (Bonsucesso), seis dos denunciados, já estão presos. São eles: Bruno Gonçalves da Silva, William Soares Costa, André Luiz Dias das Mercês, Jorge Anderson Mesquita Pereira, Aloan Pereira Ferreira e Talvane Machado Caldas. Todos, de acordo com o MP continuam comandando as atividades de compra, venda, distribuição de drogas e lucros obtidos com o tráfico.

A investigação de seis meses realizada por agentes da 21ª DP identificou os responsáveis pelo tráfico de drogas nas comunidades do Morro do Timbau, Baixada do Sapateiro, Vila Pinheiro, Vila do João, Conjunto Esperança e Salsa e Merengue — todas situadas no Complexo da Maré e dominadas pela facção do Terceiro Comando Puro (TCP).

Dois traficantes que exercem forte liderança no tráfico já estavam presos. Bruno Gonçalves, vulgo Soldado, está preso desde 2015. Ele tem forte influência na Baixa do Sapateiro, sendo homem de confiança do traficante TH. Além dele, Willian Soares, conhecido como Total Negão, que atua no Conjunto Eperança e também está preso, foi flagrado por escutas dizendo que "próximo do Carnaval ele iria ser posto em liberdade".

Dois integrantes são pai e filho. O traficante identificado Aluan, vulgo Faísca e seu filho Cássio, identificado como Libiano, atuam no Conjunto Fumacê, em Realengo e no Conjunto Esperança, respectivamentes.

O delegado adjunto da 21ª DP, Neilson Nogueira afirmou que a divulgação do Ministério Público acabou frustrando a operação comandada por agentes da distrital. "Com a divulgação, a nossa operação acabou sendo frustrada. Não adianta a gente mobilizar um grande aparato para entrar no Complexo da Maré já que o nome dos traficantes já foram divulgados", disse ele.

Em relação ao que seria feito sobre os acusados, Nogueira completou: "A gente vai continuar monitorando a quadrilha com a nossa sessão de inteligência".

O delegado ainda não recebeu a ordem dos mandados de prisão, e por ser final de semana, o procedimento acabou atrasando. " A denúncia do Ministério Público está correta, o único problema foi a divulgação, que acabou antes mesmo de concluirmos as prisões. Não recebemos o mandado de prisão oficialmente", finalizou ele.

Ainda na denúncia, o órgão afirma que, mesmo com os seis traficantes presos, suas famílias continuavam recebendo a parcela do lucro que cabia a cada um deles. Os demais denunciados são: Cássio Silva Ferreira, Wendel de Oliveira Farjado do Nascimento, Caio Barreto do Nascimento e Marcelo da Silva Gomes. O grupo mantém estreita relação com traficantes de outras favelas.

“A associação caracteriza-se pela inexistência de rígida divisão de tarefas entre seus integrantes, que, em geral, revezam-se na execução de suas funções e atividades, sendo parte integrante da autodenominada facção criminosa vulgarmente conhecida por TCP – Terceiro Comando Puro”, narra trecho da denúncia.

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