Polícia confirma mais um desaparecido no Complexo do Chapadão

Ex-paraquedista teria ido à comunidade com o cabo Jorge Fernando Souza, que também continua desaparecido

Por O Dia

Rio - A Polícia Civil confirmou, na tarde desta terça-feira, mais um desaparecido após ter sido sequestrado e morto a tiros no Complexo do Chapadão, em Costa Barros, na Zona Norte, na noite do último domingo. Segundo a família, o ex-paraquedista militar Cleiton Felipe Massena de Souza, de 22 anos, teria ido à comunidade com o cabo Jorge Fernando Souza, de 30 anos, que também continua desaparecido. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios (DH), na Barra da Tijuca.

Em áudio enviado ao WhatsApp do DIA (98762-8248), Jorge manda um recado à namorada antes de morrer, dizendo que estava indo para a localidade Final Feliz. "Caso aconteça alguma coisa comigo, já sabe onde estou", avisa.

O delegado titular DH, Fábio Cardoso, disse que a polícia já identificou alguns homens como suspeitos do crime. Inicialmente, foi divulgada uma versão de que as vítimas teriam sido torturadas, mas o delegado desmentiu essa informação.

"Os traficantes confundiram os dois como informantes, os famosos x-9. A investigação da DH mostra isso. Eles desapareceram no Parque Esperança e foram mortos no Final Feliz, ambos no Chapadão. Sabemos que usaram o Fox Preto de um deles para desovar os dois corpos. Não teve tortura, eles foram mortos a tiros", contou.

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Os parentes de Cleiton, que não quiseram se identificar, corroboraram com a versão do delegado. Para a família de Jorge Fernando, o cabo teria levado 60 tiros. Na mesma noite, um agente do Degase também foi feito de vítima, mas conseguiu escapar.

Cabo do Exército%2C Jorge Fernando Souza%2C de 30 anos%2C foi assassinado após ser torturado por traficantes da Favela Gogó da EmaReprodução Facebook

Cleiton trabalhava atualmente como motorista de um carro particular e trabalhava há sete meses no Chapadão. A família contou que o jovem recebeu uma ligação na madrugada de domingo para ir à comunidade. Durante a noite, a namorada de Cleiton desconfiou da demora do retorno dele e mandou uma mensagem no WhatsApp perguntando se ele queria que chamasse a polícia.

"Os traficantes concluíram, então, que ele era informante mesmo", acrescentou um dos familiares, que contou que o carro do ex-paraquedista, um Fox preto, ainda não foi encontrado.

O presidente do Sindicato dos Servidores do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), João Luiz Rodrigues, contou que o agente levou coronhadas na cabeça e nas costas, depois rolou uma ribanceira e caiu na rede de esgoto, onde se escondeu por sete horas.

"No momento da queda, cerca de dez bandidos atiraram contra ele, mas não foi atingido por sorte. Ele se escondeu no córrego de esgoto porque conhecia o local, já que mora perto dali. Ele ficou cerca de duas horas em poder dos traficantes. Está apavorado", disse o presidente.

Elias Souza, pai de Jorge Fernando, diz que eles trabalhavam como taxistas em um ponto no Village Pavuna, na Zona Norte, e foram pegos após se recusar a transportar traficantes em fuga. "Durante uma operação policial no domingo à noite, os bandidos deram uma ordem para que os taxistas os retirassem da comunidade. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. O meu filho e outros recusaram a ordem e eles levaram os motoristas a um determinado local do Chapadão. Balearam três. Um sobreviveu e outros dois morreram", diz.

Segundo Elias, assim como sempre fazia, seu filho recusou a transportar traficantes no táxi. "Queremos achar pelo menos o corpo do meu filho. Sabemos que foi executado e não vai voltar", lamenta.

A família de Jorge Fernando afirma que o corpo dele ainda está dentro de um veículo que se encontra no interior do conjunto de favelas. "As pessoas que viram disseram que o corpo do meu filho está dentro da mala do carro. Foi passada essa informação para a delegacia, mas a polícia ainda não foi lá. Eles (bandidos) afirmaram que se a polícia e a imprensa fossem envolvidas, sumiriam com o corpo. Falaram também que ao longo da noite de segunda-feira iriam liberar o meu filho, mas como até às 9 da manhã ninguém nos passou nada, resolvemos falar", desabafa.

O pai lembra que além de ser lotado no 25º Batalhão Logístico Escola, em Magalhães Bastos, Jorge Fernando era estudante de administração e praticava esportes. Elias Souza disse que pediu auxílio ao Exército, mas que não recebeu nenhum tipo de ajuda. "A minha esposa, mãe dele, foi no quartel onde meu filho serve. A informação foi passada para eles e não tivemos suporte algum do Comando Militar", finaliza.

O Departamento Geral de Ações Socioeducativas informou que, por meio da Coordenação de Saúde do Departamento, prestará o auxílio necessário ao agente do Degase envolvido na ocorrência. Segundo o departamento, o servidor não sofreu ferimentos graves e receberá atendimento de psicólogos e assistentes sociais.

Procurado, o Comando Militar do Leste ainda não se pronunciaram sobre o caso. Já a PM afirmou ter feito operações constantes na região, mas garante não ter recebido informações sobre nenhum corpo encontrado na comunidade.

Amigos lamentam pelas redes sociais

Pelas redes sociais, amigos lamentaram a morte brutal do militar: "Apagaram seu sorriso mano, amigo de infância e depois de alguns anos amigos de trabalho, irmãos de farda. Descanse em paz meu parceiro, a ficha ta custando a cair". "Até quando mais irmãos vão ir embora desse jeito ? Que raiva pelo que fizeram com ele, era novo e um grande parceiro e teve um fim assim. Irá deixar saudades, Jorge Fernando Souza. Adeus, amigo e que Deus possa te encaminhar para o paraíso".

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