Troca-troca partidário agita políticos do Rio de Janeiro

Deputados e vereadores têm até 19 março para mudar de partido

Por O Dia

Rio - Uma dança das cadeiras na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativa e nas câmaras de vereadores de todo país. Este é o resultado da promulgação da emenda constitucional que criou a chamada “janela da infidelidade”, liberando o troca-troca partidário sem a perda de mandato por 30 dias. Deputados federais, estaduais e vereadores terão até o dia 19 de março para mudar de partido sem sofrer nenhuma punição.

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PSD) e o deputado estadual e secretário de Transportes%2C Carlos Osório (PMDB)%2C estão na mira do PSDBDivulgação

Na Câmara dos Deputados, as estimativas são de que cerca de 10% dos 513 parlamentares deixem suas legendas por outros partidos. “Vai ser uma verdadeira valsa partidária, uma dança de salão. Os próximos dias vão ser de convites e recusas”, resume o deputado federal Otávio Leite, presidente do PSDB do Rio.

Com uma bancada de 46 deputados federais, o Rio de Janeiro é alvo do troca-troca partidário. O PSDB, por exemplo, já começou a se movimentar e negocia a entrada de Sóstenes Cavalcante, hoje no PSD, no ninho tucano. O deputado é ligado ao pastor Silas Malafaia, crítico do governo Dilma Rousseff. Já o PTB deverá perder o ex-jogador do Fluminense e deputado federal Deley. Pré-candidato à prefeitura de Nova Iguaçu, Walney Rocha é outro que estuda trocar o PTB pelo PEN.

Ainda na bancada federal do Rio, o PMDB conversa com o deputado federal licenciado Sergio Zveiter (PSD), atual secretário municipal de Habitação; com o deputado Altineu Côrtes (PR); e com o deputado federal Dr João (PR). Esse último pretende ser candidato a prefeito de São João de Meriti.

Partidos recém-criados, como o PMB e PROS, deverão ser os principais atingidos pela “janela da infidelidade”. Pré-candidato pelo Pros à prefeitura do Rio, o deputado federal Hugo Leal negocia migrar para o PSB. Leal está em dúvida na troca, porque os socialistas sonham com a filiação do senador Marcelo Crivella (PRB), que já lançou oficialmente sua candidatura à sucessão de Eduardo Paes (PMDB).

“Não tenho dificuldades no Pros e entendo que o PSB fez uma opção de trazer o Crivella”, diz Leal. Na semana passada, ele começou a ‘construir’ sua candidatura aliado ao Solidariedade e ao Partido da Mulher Brasileira. O PMB, aliás, deverá ser a sigla mais atacada na Câmara: hoje com 22 deputados federais deverá ficar com uma bancada reduzida a dez.

Na Câmara de Vereadores do Rio, o prefeito Eduardo Paes está montando uma operação para aumentar a bancada do PMDB na Casa. Hoje, 18 dos 51 vereadores são peemedebistas. Paes trabalha para cooptar entre cinco e seis parlamentares para o PMDB.

Um dos que estaria negociando a ida para o PMDB é Junior da Lucinha (PSDB), que costuma votar com os peemedebistas. Nesse caso, o PSDB ficaria com apenas um representante na Câmara, a vereadora Teresa Bergher. No PT, os vereadores Elton Babú e Marcelo Arar devem aproveitar a janela e deixar o partido. 

Osório no ninho tucano

Decidido a ter candidato próprio à prefeitura do Rio, o PSDB tenta atrair o deputado estadual e secretário de Transportes do estado, Carlos Osório. Na quarta-feira, Osório foi a Brasília para uma reunião com o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG). Mostrou-se disposto a sair do PMDB, mas avisou que antes precisa conversar com o governador Pezão e a cúpula peemedebista.

“Estamos fazendo todo o esforço para que o Osório venha para o partido. Mas quem tem que decidir isso é ele”, diz o ex-deputado tucano Márcio Fortes. Osório quer ser candidato mas não tem espaço no PMDB, que decidiu lançar o secretário municipal de Governo, Pedro Paulo Teixeira, à sucessão de Paes.

A sete meses das eleições, quatro deputados federais – Alessandro Molon (Rede), Jandira Feghali (PCdoB), Índio da Costa (PSD) e Hugo Leal (Pros) –, um estadual, Marcelo Freixo (Psol) – e um senador, Marcelo Crivella (PRB), são pré-candidatos à prefeitura carioca.

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