Policial trabalha no circo ensinando crianças a arte de uma vida melhor

Thiago Teixeira, de 30 anos, alterna sua função de soldado da Polícia Militar com a alegria de ser malabarista e palhaço

Por O Dia

Thiago Teixeira ainda arruma tempo para atuar como malabarista Divulgação

Rio - O ‘respeitável público’ do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, no Centro do Rio, tem dividido a dura rotina de confronto entre policiais e traficantes com uma ação inusitada. É por lá que o carioca Thiago Teixeira, de 30 anos, alterna sua função de soldado da Polícia Militar com a alegria de ser malabarista e palhaço. Para ele, mais do que provocar gargalhadas nos pequenos, o picadeiro tem a nobre tarefa de despertar o sentimento de paz universal. “O circo encanta adultos e crianças. A paz só será possível se a comunidade estiver ao lado da polícia, é isso que buscamos”, sonha.

Nascido e criado no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste, Thiago ganhou aos 6 anos o livro ‘Tem bicho no Circo’, obra de Ziraldo que descreve como uma “memória magnífica”. A mãe, dona Solange, fazia excursões para levar crianças ao circo. “Quando assistia às apresentações, sentia vontade de ficar lá para sempre. Aí comecei a imitar os artistas em casa”, relembra o policial.

Embora convicto de que havia nascido para o circo, o alerta dos pais sobre a dificuldade da carreira artística empurrou Thiago para cursar a faculdade de Direito. Insatisfeito com a rotina de escritório, ele prestou o concurso público para a Polícia Militar, onde ingressou em 2010, na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro da Formiga, na Tijuca, na Zona Norte da cidade.

Já na polícia, voltou a ter contato com a arte, por meio do Circo de Marcos Frota, que oferece gratuidade para policiais e moradores de comunidades com UPP's. “Tive a certeza de que queria estar no palco. Entrei para o curso e continuo até hoje”, afirmou o policial, que concilia o trabalho social na UPP dos Prazeres com a faculdade de Artes Cênicas. Thiago associa o sucesso com a garotada da comunidade ao fato de não estar envolvido nas operações de combate ao tráfico e de transmitir carinho a elas.

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