Por thiago.antunes
Rio - "Foi difícil entregar meu filho à polícia”, contou L., mãe do rapaz de 16 anos acusado de estuprar e agredir com coronhadas na cabeça uma passageira da linha 369 (Bangu-Carioca), na sexta-feira. Ele foi apreendido nesta terça-feira na casa da avó no Parque das Missões, em Duque de Caxias.
L. foi determinante na negociação entre agentes da 33ª DP (Realengo) e o filho, que teve a imagem divulgada pela polícia como maior de idade.
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Ao convencê-lo a se entregar, L. agiu exatamente ao contrário do que fez há um ano, quando esteve na 2ª Vara da Infância e Juventude para soltar o jovem que havia assaltado um ônibus. “Ele agora vai cumprir o que deve”, disse L. chorando.
Por ser menor de idade, o adolescente foi solto, na época, porque L. assinou um termo se comprometendo a apresentar o filho à Justiça, como prevê o artigo 174 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Mas segundo a polícia, a determinação não foi cumprida, o que foi negado por L.
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Crime hediondo
O acusado vai responder por roubo e fatos análogos aos crimes de estupro, que é crime hediondo, e ainda por constrangimento, por ter obrigado um mototaxista a fugir com ele.
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Delegado-titular da 17ª DP (São Cristóvão), onde o caso foi registrado, Maurício Luciano de Almeida, está investigando a participação do jovem em outros crimes. Um deles, um roubo a coletivo, pode ter acontecido pouco antes do estupro.
“Um passageiro viu na mochila dele objetos que podem ter sido roubados. O adolescente apreendido pode pegar uma pena socioeducativa de até três anos. O estupro é um crime hediondo. Se fosse maior, pelos crimes que vai responder, pegaria 25 anos de prisão. Esse fato deve servir de reflexão. Sou a favor da redução da maioridade penal. Um adolescente da idade dele sabe o que está fazendo”, avaliou o delegado.
Mãe de menor cobriu o rosto ao chegar na 17ª DP (São Cristóvão)Paulo Alvadia / Agência O Dia

Na 17ª DP, a vítima chorou ao reconhecer o agressor. “O fato de eu ser menor, não justifica o que fiz. Sei que a sociedade vai me crucificar”, disse o acusado na 33ª DP.

Agressor diz que estava drogado

Exame de corpo de delito atestou que não houve conjunção carnal, mas o jovem obrigou a vítima a fazer sexo oral com ele e a agrediu a coronhadas.

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O estuprador foi entregue pela mãe e o padrasto, que também intermediou a rendição, na Rodovia Washington Luís, em Duque de Caxias. A procura por ele começou à 1h desta terça, quando agentes da 33ª DP tiveram informações sobre o paradeiro.
O jovem, que fará 17 anos domingo, contou que saiu para roubar e conseguir dinheiro para o aniversário. E justificou o estupro alegando que estava sob efeito de cocaína.
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“Ele disse que achou a menina bonita, foi com a cara dela, mas que estava drogado, o que não acredito. E alegou estar arrependido”, contou o delegado Carlos Augusto Nogueira, da 33ª DP.
A pistola teria sido comprada por R$ 450, no Lixão de Gramacho, em Caxias. O adolescente morava com a mãe na Favela Para-Pedro, em Irajá.
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"Pena curta é um estímulo ao crime"
Frio e ousado. Assim o delegado Maurício Luciano, da 17ª DP, descreveu o adolescente. “Que ele mostrou frieza na ação, isso não há dúvida.
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Ele demonstrou desenvoltura e ousadia praticando conduta hedionda. Não verifiquei nenhum traço de arrependimento”, disse Maurício. Para ele, a pena aplicada aos adolescentes infratores é um estímulo ao crime.
“Parece que ele tinha certeza da impunidade. Saber que vai ficar internado apenas por um período curto estimula determinadas ações”,