Por bferreira
Rio - Os constantes tiroteios na Maré, na Zona Norte, além de obrigar escolas do Ensino Fundamental a suspender aulas com frequência, conforme o DIA mostrou sexta-feira, também ameaçam um importante projeto musical desenvolvido nas comunidades do complexo há dois anos: o Estrada Cultural, que beneficia pelo menos 200 crianças carentes, de 10 a 15 anos de idade, todos da região e da vizinha Penha.
De acordo com o diretor do projeto, Carlos Eduardo Prazeres, de cada dez aulas de música, quatro são suspensas por conta de confrontos, ora entre traficantes e polícia, ora entre os rivais das facções Comando Vermelho (CV) e Terceiro Comando Puro (TCP), que disputam o controle do tráfico.
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“Nós e a ONG que patrocina o projeto (State Grid Brazil) entendemos que é possível vencer a violência pela arte, pelo talento, pela música. Mas as suspensões sucessivas de aulas nos deixam agoniados”, diz Carlos Eduardo.
Ele afirma já ter perdido a conta também de quantas vezes foi preciso ficar dando voltas no ônibus com as crianças que formam a Orquestra Maré da Manhã, depois de apresentações fora do complexo: “No dia 3 de abril, depois de uma apresentação, tivemos que levar as crianças para o McDonald’s por causa de uma operação do Bope.
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Entre os alunos, que têm aulas de violino, viola, violoncelo, contrabaixo e flauta, além de noções de cidadania e reforço escolar, há filhos de pessoas acusadas de envolvimento com o tráfico, segundo Carlos Eduardo. “Os próprios traficantes não querem que seus filhos se tornem bandidos. Eles querem que eles cresçam longe dessa desgraça”.
O comandante da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro, diz que as operações são uma uma forma de não deixar a comunidade à mercê de bandidos. Segundo ele, as incursões do Bope acontecem quase sempre de madrugada.
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