Soluções para transportes urbanos em discussão

O DIA, Meia Hora e Brasil Econômico lançam projeto para promover debates no setor

Por O Dia

Com os investimentos viabilizados pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos, o Brasil e, principalmente, o Rio de Janeiro têm uma oportunidade única de solucionar problemas históricos de mobilidade urbana. Para contribuir neste processo, o Grupo EJESA (responsável pelas publicações O DIA, Meia Hora e Brasil Econômico) inicia, nesta semana, o projeto Observatório da Mobilidade.

Além de reportagens para discutir em profundidade a questão da mobilidade urbana e dos transportes públicos, o projeto vai promover, uma vez por mês, debates com especialistas e autoridades. O primeiro encontro discutirá ‘Os grandes projetos de transportes no Rio e seus impactos na mobilidade urbana’ e reunirá, na quinta-feira, na sede do Grupo, o secretário municipal de Transportes do Rio, Carlos Roberto Osório, o gerente de Transportes da Empresa Olímpica Municipal, Ronaldo Balassiano, e os professores Alexandre Rojas, do Centro de Tecnologia da Uerj, e Paulo Cézar Ribeiro, do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/ UFRJ.

Rojas%2C da Uerj%2C elogia o custo-benefício dos BRTs%2C mas cobra mais atenção ao sistema ferroviárioPaulo Alvadia / Agência O Dia

“Acho importantíssimo o projeto do Observatório. O tema mobilidade é o grande desafio das cidades no século XXI. Nesse momento de transformação, a sociedade precisa participar das discussões e mudar comportamentos, como o uso do carro nas cidades”, afirmou Osório.

O gerente de Desenvolvimento Urbano do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP, na sigla em inglês), Pedro Torres, ressalta que a sociedade civil precisa entender o que está sendo desenvolvidos nas cidades e que iniciativas como o Observatório são fundamentais. “Somente as audiências públicas que são realizadas para o licenciamento dos projetos não são suficientes, pois são pouco divulgadas”, disse.

Defensor do custo-benefício do BRTs, a grande aposta do Rio, Alexandre Rojas, da Uerj, avalia que o ciclo de investimentos na cidade até 2016 é muito positivo, mas reclama que a rede ferroviária foi pouco valorizada.

TRENS ESQUECIDOS

“Estão comprando composições, mas só isso não resolve. Deveriam dar mais atenção aos trens, reprojetando o sistema, com estações mais modernas ”, opina o especialista.
A SuperVia informou que o investimento de R$ 2,4 bilhões, junto com o Governo do Estado, além da compra de trens, modernizará o sistema como um todo.

O presidente da Associação Nacional dos Transportes Públicos, Ailton Brasiliense, diz que o ciclo de investimentos em transportes pode ser uma forma de reparar erros urbanos do passado.
A equipe do Observatório é coordenada por Claudio de Souza e conta com os repórteres Amanda Raiter, Daniel Pereira e Mozer Lopes.

Infográfico dos projetosArte O Dia

Copa liberou R$ 8,9 bi para as 12 sedes, mas há dúvidas

A realização da Copa do Mundo no Brasil viabilizou 53 projetos na área de mobilidade nas 12 cidades-sede, dos quais 85% estão em andamento, segundo o Governo Federal. O total de investimentos chega a R$ 8,9 bilhões. Entretanto, atrasos nas obras e a consequente exclusão dos empreendimentos da Matriz de Responsabilidades (documento que compromete os entes federativos a concretizar as propostas) podem fazer com que as promessas nunca saiam do papel.

Cidades como Brasília, Cuiabá, Manaus, Porto Alegre, Natal e São Paulo estão com obras atrasadas e muitas já foram retiradas da Matriz. No Distrito Federal, a implantação do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) já foi descartada para 2014. Na capital paulista, o monotrilho da linha 17 (linha Ouro do Metrô), que liga o Aeroporto de Congonhas ao Estádio do Morumbi, já não consta mais nas obrigações do estado para o evento.

Investimento no Rio supera R$ 17 bilhões

Somente os principais projetos de transporte público em curso no Rio de Janeiro, os quatro corredores BRT, a Linha 4 do metrô, o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que ligará a Zona Portuária ao Centro) e a modernização dos trens urbanos, somam investimentos deR$ 17,6 bilhões. Além desses aportes, a região metropolitana recebe outras obras que vão impactar positivamente a mobilidade, c omo o ar co rodoviário, que vai desviar o trafego pesado da Avenida Brasil.

O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, ressalta que o transporte público de alta capacidade, como trens, metrô e BRTs, que atualmente leva 20% dos passageiros do Rio, será responsável por 63% das viagens em 2016. “Esses meios de transporte são a base do nosso projeto. Ônibus comuns vão migrar para os BRTs”, disse.

Transbrasil será o maior BRT do mundo em volume de passageiros

Com estimativas de transportar 900 mil passageiros por dia, o BRT Transbrasil, que ligará o Aeroporto Santos Dumont, no Centro, a Deodoro, deverá ser o maior do mundo em capacidade de transporte. Segundo Pedro Torres, da organização internacional ITDP, que promove o transporte sustentável no mundo, os maiores corredores BRT atualmente são o de Bogotá, na Colômbia, e o de Gansu, na China, que transportam 800 mil passageiros por dia.

O especialista concorda que os projetos em desenvolvimento no Rio são fundamentais para a cidade, mas ressalta que eles não resolvem todos os problemas da mobilidade urbana no Rio, gerado por décadas de falta de investimento no transporte de massa e incentivo ao uso do automóvel. “É preciso repensar a cidade, seus pólos de trabalho e adensamentos de população”, disse.

Para a engenheira de Transportes, Eva Vider, professora da Escola Politécnica da UFRJ, os investimentos nos quatro corredores BRT são fundamentais para aumentar a oferta e a abrangência geográfica dos transportes públicos no Rio de Janeiro.

Ela ressalta também a importância da integração dos corredores BRT com os demais meios de transporte da região metropolitana, principalmente com o metrô.

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