Por thiago.antunes
Rio -  O delegado Delmir Gouveia, da 64ª DP (São João de Meriti) informou que Allan Mariano dos Santos, irmão do pastor Marcos Pereira, vai responder por injúria e ameaça por ter publicado mensagens ofensivas contra três mulheres em uma rede social nesta segunda-feira. "Ele denegriu a imagem das vítimas e foram elas que teriam dado início a essas denúncias de estupro por parte do pastor na Delegacia de Combate às Drogas (DCOD)", afirmou.

Duas vítimas foram à 64ª DP nesta terça-feira e fizeram registro contra Allan por injúria. O delegado informou que intimou homem a comparecer à delegacia mas, segundo sua advogada, o acusado não pôde vir. "Ele foi intimado a vir novamente nesta quarta-feira, às 10h. A terceira vítima está fora da cidade, mas garante que também virá à delegacia para depôr contra o Allan. Por enquanto, ele responderá pelos dois crimes, mas também pode ser indiciado por coação, caso se comprove que ele tenha envolvimento no processo do pastor", informou Gouveia.

O pastor Marcos Pereira está preso%2C acusado de violentar fiéis e coagi-lasUanderson Fernandes / Agência O Dia

Allan publicou as fotos das mulheres e os dizeres no mesmo dia. A mensagem dizia: "À luz da Bíblia, se o Rogério e o (José) Júnior (da ONG Afroreggae) não se converter e se arrepender (sic), vão morrer todos eles...e quem estiver envolvido". De acordo com o delegado, o irmão de Marcos Pereira pode pegar até três anos e seis meses de detenção pelas ameaças.

Rogério Menezes, citado na mensagem, é irmão de uma das mulheres ameaçadas, a assistente administrativa Z., de 40 anos. A vítima também fez um registro na unidade policial por injúria e ameaça. Segundo ele, o casal contratou um segurança para acompanhá-los e pensa em se mudar de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde moram. Z. acusou Allan de ameaças e revelou que denunciou Marcos Pereira em 2012.
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"O pastor está preso por minha casa, fui que que o denunciei. Ele abusou de mim de 1991 a 2008. Marcos me aliciava e me forçava a tocar em suas partes íntimas, mesmo sendo casado. Eu o denunciei em março do ano passado, porque era muito ameaçada. Por várias vezes, me ofereceu dinheiro para que não o fizesse. É um canalha disfarçado de bonzinho. Depois das orgias, que aconteciam com homens e mulheres, muitas delas casadas, ele argumentava que eram coisas de Deus, que bastava pedir perdão. Eu era muito ingênua", relatou.

Sobre a mensagem postada no Facebook, Z. afirmou que se sente constrangida. "Querem fazer de nós, as vítimas, vilãs. É constrangedor e indignante ver sua imagem na internet e ser chamada de dragão por esse homem, que fez isso por acreditar na impunidade", disse.

A outra vítima de difamação, que não quis se identificar, e tem 30 anos, contou que era abusada dos 14 aos 20 anos, pelo menos uma vez por semana.

De acordo com delegado Delmir Gouveia, Ana Madureira, que seria mulher do pastor Marcos Pereira, também foi intimada a depor por ter chamado as vítimas de prostitutas em um vídeo publicado na conta da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud), no Youtube.