Por thiago.antunes

Rio - João Tuteia foi um querido morador dos Prazeres. Quando vivo, cuidava sozinho de um campinho, em frente à sua casa, na Rua Rubens Moreira, no alto do morro. Ele sonhava que o local, um antigo lixão, tivesse brinquedos para as crianças. Nesta sexta-feira, o sonho de João se concretiza a partir das 17h com a inauguração do ‘Jardim dos Prazeres’.

Com vista privilegiada da Baía de Guanabara e Lagoa Rodrigo de Freitas, o local só teve sua revitalização possível graças a uma interlocução do DIA. Em março, o projeto ‘Rio, Cidade Sem Fronteiras’ convidou dois paisagistas franceses que estavam de passagem pela cidade para conhecer a praça no Morro dos Prazeres e propor algo. Jacky Libao e Olivier Arnaud gostaram tanto do local que presentearam a comunidade com o projeto da praça, concretizado pelo apoio da Fundação Total.

Moradores mobilizados aceleram para entregar os últimos detalhes da obra %3A escalada%2C pista de ciclismo%2C compostagem e plantas medicinais Márcio Mercante / Agência O Dia

O local tem parede de escalada, plantas medicinais, compostagem de lixo, ciclovia e os brinquedos que seu João sonhava. A memória dele agora está eternizada na praça, que leva seu nome. Os moradores passaram os últimos dias trabalhando duro. Charles Siqueira, do Instituto Pólen, que coordena as atividades, foi o realizador do projeto.

“A comunidade merece. Vamos conscientizar sobre meio ambiente, através da beleza, do cuidado. Esperamos que todos venham conhecer”, convida.  A guia de turismo Carmen Givoni, também atuante na realização da praça, já vislumbra o local como atração turística. “Vamos aliar recuperação da natureza e lazer”, disse ela, que costuma levar estrangeiros à comunidade.

Plebiscito ajudou a manter a comunidade mobilizada

A falta de educação que se vê no asfalto também se repete no morro. Para evitar que a praça seja alvo de vandalismo, os organizadores realizaram diversas reuniões para mobilizar a comunidade. Entre outras estratégias, perguntaram o que os moradores desejavam encontrar no local: brinquedos infantis, pista de bicicleta e parede de escalada, por exemplo, foram votações maciças. Parece que deu certo.

“Os pedreiros que vieram aqui fizeram o depósito como a cara deles. Eu fui lá e consertei”, diz Atevaldo Vieira, morador dos Prazeres há 35 anos, que promete zelar contra os estraga-prazeres. “Ficaria bem triste se essa coisa linda acabasse porque quebraram as coisas. As crianças precisavam desta praça para brincarem”, relata ele, lembrando de João Tuteia, que foi seu amigo. “Isso aqui era bem triste, pois os meninos tinham que descer o morro para se divertir”, conta.

Ele relembra que o amigo, inconformado com a dificuldade, começou a cavar o barranco para fazer o campinho no local. “O João ficaria feliz de ver esse jardim lindo assim.” Que assim seja...

Reportagem de Tássia Di Carvalho

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