UPP terá ouvidoria em janeiro

Coronel Frederico, coordenador do programa, fez o anúncio no 8º debate ‘Rio sem Fronteiras’

Por nara.boechat

Rio - Abusos e desvio de conduta de policiais em áreas de UPP poderão ser denunciados através de uma ouvidoria própria. Este importante canal de valorização da cidadania das comunidades do Rio começará a funcionar em janeiro. Sua criação teve como umas das motivações o caso do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, morto após ser levado para a UPP da Rocinha.

“Vamos ter um critério de transparência que permita que os cidadãos acompanhem as denúncias”, disse o coronel Frederico Caldas. Ele assumiu o comando das UPPs há três meses. “Vivi uma polícia diferente. Talvez estejamos vivendo o melhor momento dela”, comenta o coronel Frederico, há 30 anos na PM. Foi ele quem anunciou a criação da Ouvidoria das UPPs, esta semana, no 8º debate da série ‘Rio, Cidade sem Fronteiras’, um projeto do DIA.

Jorge Barbosa (e)%2C Camilo Coelho (encoberto)%2C Charles Siqueira%2C coronel Frederico Caldas%2C o jornalista André Balocco%2C Zé Mário e Flávio Mazzaro%3A opiniões distintasCarlo Wrede / Agência O Dia

O evento, que discutiu os cinco anos do projeto das UPPs, foi realizado no escritório que a agência de publicidade NBS mantém no morro. O grupo de hip hop Soul Fox, do próprio Santa Marta, abriu a programação. Depois houve o debate, com Flávio Mazzaro (Fallet), Charles Siqueira (Prazeres), Zé Mário (Santa Marta) e Jorge Barbosa (Observatório de Favelas) e o diretor da NBS Camilo Coelho.

“O Santa Marta foi a única favela em que a comunidade não foi avisada sobre a instalação de uma UPP. Tomamos um susto! Fui no governador e ele disse que estava subindo o morro pra nunca mais sair. Tínhamos trauma e ficamos com medo”, lembra o líder da associação de moradores local, Zé Mário. “Hoje a polícia é a única ‘secretaria’ que a favela conhece”, comenta.

“Precisamos enxergar os moradores destas áreas como cidadãos plenos de direito. Procuramos agora um policial diferente, com noções de Sociologia, História e Geografia”, diz o coronel Frederico Caldas.

A ouvidoria, batizada de ‘Paz com Voz’, terá e-mail, telefones e páginas em redes sociais e será itinerante. No comando, estará a tenente Tatiana Lima.

Líderes pedem ajustes no programa

O possível fim das UPPs em 2014 também esteve em pauta. “Se o candidato não vier com uma boa proposta para melhorar as UPPs, não será eleito. Ninguém é louco de deixar as comunidades de volta ao genocídio”, sentenciou Zé Mário.

Ativista comunitário dos Prazeres, Charles Siqueira defendeu a janela de oportunidades do programa. “Sou a favor sim. Quando cheguei ao Rio, há 20 anos, a cidade era decadente. Mas a PM precisa ser treinada para saber que está lidando com uma população que não a respeita por causa da memória de violência.”

Flávio Mazzaro, do Fallet, relembrou casos de tortura nos conteneires de sua comunidade, em gestões anteriores à do comando atual, e reclamou da rotatividade na chefia da coordenadoria de polícia pacificadora", criticou.

Conselhos comunitários de segurança

Além da ouvidoria ‘Paz com Voz’, prevista no orçamento de 2014, o coronel Frederico Caldas anunciou a criação de conselhos comunitários de segurança nas favelas pacificadas. O primeiro também será em janeiro. “Vamos levar aos moradores de comunidades os mesmos direitos que os do asfalto tem”, disse o coronel, referindo-se aos encontros que ocorrem nos batalhões dos bairros.

“Além de moradores, teremos delegados e defensoria pública. É uma forma de dar poder às lideranças para solucionar problemas nas comunidades.” O conselho pode ainda minimizar dificuldades como a realização de eventos, que precisam de autorização da UPP. “Ela não pode impor regras de sociabilidade nas favelas. Isso vai além do seu papel”, opinou Jorge Barbosa.

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