Por thiago.antunes
Rio - Muitos investimentos sociais, falta de confiança na polícia por conta das milícias paramilitares, pouca presença das forças de segurança nas favelas e, em consequência, baixa queda nos índices de violência. Se fosse possível resumir o momento da Colômbia, há 11 anos vivendo um processo de pacificação que inspirou as UPPs no Rio, esta seria a escolhida pelo professor colombiano Javier Naranjo.
No Rio para lançar o livro ‘Casa das Estrelas’, da editora Foz — compilação de oito anos de trabalho com crianças da cidade de El Retiro, perto da Medellin de Pablo Escobar —, Naranjo, de 57 anos, ficou impresionado com as semelhanças sobre como as crianças dos dois países enxergam a vida.
Naranjo: 'Todas as crianças querem a paz'André Balocco / Agência O Dia

“Todos querem a paz”, conta ele. “Na Colômbia, ao ser perguntado sobre a definição de espírito, um jovem de 11 anos disse: ‘É o que precisamos para sobreviver à violência’”, conta o professor. “Aqui no Brasil, na Maré, vi muito as palavras caveirão e Bope.”

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Políticos tiveram que incorporar projeto
Naranjo se impressionou com a biblioteca parque de Manguinhos — elas são a marca registrada do processo em Cali, Medellin e Bogotá. Para ele, a pacificação só sobreviveu às trocas de comando político devido ao valor que as pessoas dão à inclusão. “A sociedade quer a paz”, diz. Por isso, o que era um programa de governo se transformou em programa de Estado, com a oposição abraçando a causa. “As mudanças foram mínimas.”
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Tráfico formiguinha e fuzis resistem
A principal diferença entre o Rio e Medellin, pensa Javier, é que em seu país a polícia não está ostensivamente presente como nas UPPs. Na verdade, diz ele, poucas favelas estão ocupadas ou têm paramilitares à paisana. Muitas não contam com a presença policial do Estado — o foco são os programas de inclusão social como as bibliotecas-parque. “Hoje, nas favelas da Colômbia, sobrevive o microtráfico (‘formiguinha’) e ainda se vê fuzis circulando por elas”, relata. “Avançamos muito, mas não é o paraíso que mostram”. Qualquer semelhança...
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Em busca da paz
Aberto o diálogo entre a guerrilha (Farc) e Estado, Javier quer entregar o resultado de suas pesquisas às partes que negociam, em Cuba, a paz na Colômbia. “As crianças são as que mais sofrem com a violência.”
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Milícias, o terror
A definição de Sandra Milena Gutiérrez, 11 anos, impressiona. No livro, a criança define polícia como a que quer que a paz termine. “É reflexo da mistura de paramilitares com Forças Armadas”, explica.
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Iesp faz seminário sobre pacificação na quarta
O Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) faz quarta-feira, das 9h às 17h, seminário sobre a pacificação no Rio. Entre outros, estarão presentes o coronel Frederico Caldas, coordenador das UPPs; Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos (IPP); Alba Zaluar, do Iesp, e lideranças comunitárias como Flávio Mazaro (Fallet) e Charles Siqueira (Prazeres). Os temas serão ‘O passado nos condena’, ‘Funções do comandante das UPPs’, ‘O que é polícia de proximidade’ e ‘Outras instituições necessárias’.
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AfroReggae online
O AfroReggae inaugura, depois de amanhã, o ‘Cultura de Ponta’, que dá acesso a uma base (www.afroreggae.org/projeto/cultura-de-ponta) onde serão transmitidas discussões sobre dança negra. O evento físico acontecerá na Rua da Lapa 180, cobertura.
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Jiu-jítsu nas UPPs
O jiu-jítsu chega à sua segunda competição entre as UPPs. No sábado que vem, comunidades de 24 Unidades de Polícia Pacificadora disputam a 2ª Copa UPP de Jiu Jítsu no Clube Municipal, na Tijuca. Após as lutas, acontecerá uma confraternização de Natal.
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Santa Marta
O 8º debate ‘Rio, Cidade sem Fronteiras’, sobre os cinco anos da UPP do Santa Marta, vai ao ar nesta terça-feira, às 21h45, na TV Alerj.
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Rodrigo Mascarenhas, relações públicas do projeto Tudo de Cor, da Coral, e não coordenador, como saiu na coluna, faz hoje o 22º mutirão de pinturas de casas no Santa Marta.
Macacos
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A UPP dos Macacos inaugurou a UPPteca, espaço de leitura para crianças com 400 livros e 100 brinquedos .
Matinha
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O projeto ‘Arte é o Melhor Remédio’, cuja sede é no pé da Matinha, se apresenta quarta-feira na festa natalina do Instituto Nacional do Câncer.
O CONCURSO literário ‘Eu Jovem Carioca’, com apoio do DIA, chega ao fim premiando os vencedores na quarta, no Teatro Sesi.
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