Muitas ideias na cabeça e um curso nas mãos

Observatório de Favelas lança a 8ª edição da Escola Popular de Comunicação Crítica, no Complexo da Maré, em busca da valorização dos jovens da periferia

Por thiago.antunes

Rio - Grafitagem, discussões sobre como promover a juventude da periferia na mídia e questionamentos, muitos questionamentos. Foi assim a aula inaugural da 8ª turma da Escola Popular de Comunicação Crítica, a Espocc, do Observatório de Favelas, na noite de terça, na Maré. Noventa alunos foram selecionados, entre 277 inscritos, para cursos de audiovisual, criação digital, preparação de roteiro e edição de filmes. Noções de redes sociais e planejamento de comunicação também estão na grade curricular.

“Quem disse que tudo que é público tem que ser feito pelo Estado? Vamos desenvolver trabalhos públicos que vão além do Estado”, fala Eduardo Alves, um dos diretores do Observatório de Favelas, ONG atuante na Maré desde 2001, quando foi fundada. “As novas turmas são importantes para dialogar com a cidade e discutir as suas práticas.”

Aluno da Espocc pinta um painel participativo durante o evento%2C que aconteceu na noite de terça-feiraPaulo Araújo / Agência O Dia

Levantamento do próprio Observatório contabiliza ao menos 500 jovens já formados nas versões anteriores da Espocc. “Quando começamos o curso diziam ‘não faz isso não, faz alguma coisa para o jovem ganhar dinheiro. Dá aulas de torneiro mecânico”, conta Edu.

A resistência à mudança de foco, baseada na política clientelista que rege o relacionamento asfalto/favela, até era compreensível. Mas o tempo comprovou que a aposta em dar a isca e o anzol estava correta. A fotógrafa Renata Guilherme, 39, moradora do Complexo da Maré e formada há dois anos, é uma das provas vivas disso. “O curso me transformou numa cidadã proativa na minha comunidade, e não mais numa espectadora dos absurdos que presenciava.”

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